Artigos Terça-feira, 05 de Julho de 2011, 10:33 - A | A

Terça-feira, 05 de Julho de 2011, 10h:33 - A | A

Peripécias do alto do Paço

Contemplar um grupo específico de pessoas por meio de “permuta” não é nada digno. Ainda mais quando esse tipo de contratação não vem a público de forma clara, afinal, não se pede a não contratação de quem quer que seja, apenas transparência.

KAROLINE GARCIA

Divulgação

Vi hoje pela manhã, com preocupação, uma reportagem na TV Centro América, afiliada TV Globo, mostrando que a Prefeitura Municipal de Rondonópolis contratou integrantes do Movimento dos Trabalhadores Acampados (MTA) para fazer limpeza das vias públicas da cidade.

Claramente vê-se que o ex-deputado estadual e atual prefeito de Rondonópolis - que sempre se colocou como um defensor dos trabalhadores acampados, sem-terra, e afins -, Zé Carlos do Pátio (PMDB) arrumou uma forma curiosa de tentar viabilizar pelo menos parte da sua administração - pautada por ações do Ministério Público Estadual, invasões de áreas, ameaças de greve e por aí vai.

Quando Pátio contrata essas pessoas ele nada mais faz que uma via de mão dupla: enquanto ele “ajuda” as famílias garantindo emprego temporário, principalmente às mulheres, os movimentos dão um tempo nas invasões que, em dois anos e meio, se tornaram comuns por Rondonópolis.

Seria até inteligente a estratégia, senão tivesse por trás esse jogo sujo de interesse por parte do Executivo Municipal. Pátio está sendo investigado por descumprir determinação do Ministério Público do Estado para retirar famílias de Áreas de Proteção Permanente. Não tem política habitacional clara, e sequer planejamento para tal. Os movimentos têm força, mexem com a ‘tímida’ opinião pública que existe em Rondonópolis e podem causar prejuízos maiores à gestão do prefeito que talvez as próprias ações do MPE.

Contemplar um grupo específico de pessoas por meio de “permuta” não é nada digno. Ainda mais quando esse tipo de contratação não vem a público de forma clara, afinal, não se pede a não contratação de quem quer que seja, apenas transparência. O processo seletivo foi feito de que forma? Que fez as contratações? Quais os critérios adotados para contemplar determinado movimento? Quantas pessoas foram de fato contratadas, e por quanto tempo?

São as perguntas que devem ser feitas do chefe do Executivo que, pela lógica da gestão pública, deveria ter encaminhado pelo menos um projeto ao Legislativo. Se houve, não vi e não por falta de interesse, mas por falta de clareza nas ações destes Poderes Constituídos. Afinal, é de conhecimento de todos que a manobra feita no final do ano passado para a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Rondonópolis foi uma forma de tentar viabilizar politicamente a gestão de Pátio.

Deu certo. Hoje ele tem maioria na Casa com uma Mesa ‘suprapartidária’ onde além de praticamente legislar também não tem dificuldade alguma ver seus projetos, pedidos de suplementação em um orçamento que mais parece uma colcha de retalhos, aprovados.

Que as respostas sejam dadas à sociedade, que aparentemente tem engolido as peripécias de um prefeito que a cada dia se revela apenas um ser estranho, perdido e sem rumo no alto do Paço Municipal, mas está contando os minutos para dar o troco.

(*) KAROLINE GARCIA é jornalista em Rondonópolis e editora do Blog Santa Política. E-mail: redação@santapolitica.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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