Artigos Terça-feira, 30 de Agosto de 2011, 12:02 - A | A

Terça-feira, 30 de Agosto de 2011, 12h:02 - A | A

Os franqueados da política

Somos as sombras de tudo que imaginamos, pois incorporamos em todos os sentidos da vida nossos objetivos, e em cada dia que passa abrimos uma franquia mental baseada em tudo que achamos que já aprendemos, com uma bela definição de projetos utópicos

WILSON FUÁ

Divulgação

Ser político autêntico é um dom que poucos possuem, com raríssima exceção, consegue fazer carreira, como em várias outras profissões.

Ser político é ter o entendimento e a leitura do ser humano. São pessoas especiais e apaixonadas por causas sociais, são aquelas pessoas que entendem o sentimento de um povo, que confundem as suas aspirações como desejo de todos os cidadãos.

De um tempo para cá, passamos a perceber que o congresso passou a ser povoado por representantes de seguimentos. O político passou a ser na verdade lobista de grandes grupos econômicos, lobista de emendas carimbadas, representante de cleros, ruralista, ambientalista e outros. A sociedade ficou desorganizada em termos de representatividade, “quem pode mais chora menos”.

De um tempo para cá, o povo passou a ser enganado por somas vultosas de recursos financeiros aplicados em marqueteiros, com objetivo de apresentar um ser político travestido de representante do povo.

Tem certo aprendiz de político, que na esperança de impressionar o eleitorado, fantasia de humilde, chora em velório, dança e festeja nas “bibocas”, abraça operário mal cheiroso e beija mulheres com perfumes vencidos, sabendo que ao chegar em casa tomará um banho de álcool e deitará na banheira de hidromassagem por horas, voltando ao seu mundo de fantasia.

Com muita dificuldade aprende a fazer discursos enganosos, pois as palavras impressionam mais que qualquer objeto, infelizmente as pessoas não estão preparadas para fazer a leitura de mensagem que saem do coração, a maioria das pessoas não tem o poder de refletir, de pensar, e por não poder sonhar, acreditam em salvadores da pátria que pousam como pai dos fracos e oprimidos. Depois de eleito “babau”, diz logo: sai de mim coscorão, sabe quando você voltará a me ver, só daqui quatro anos.

O aprendizado político não vem por osmose, há carência de líderes autênticos, ainda temos que percorrer uma árdua estrada, o procedimento correto, não é simplesmente sentarmos e ficarmos aguardando que surja líder autêntico ou um partido político ideal que tenha em seu estatuto, as restrições necessárias para barrar no nascedouro os políticos desqualificados. Como seria bom se no estatuto dos partidos tivessem os seguintes artigos:

1º - Todos os filiados que estiverem sendo investigados serão imediatamente desligados do partido, até a conclusão final do julgamento, se absolvido retorna automaticamente, e se condenado será expulso definitivamente;

- Só no Brasil, os partidos aceitam todo tipo de filiação, de desonestos até assassinos, e depois cria-se uma lei chamada ‘ficha limpa ou ficha suja” ou vice-versa.

E ai os candidatos sujos são eleitos, e vão ao supremo, para validar a sua eleição?

Simplesmente o supremo julga o absurdo:

às vezes ainda há empate nas votações dos membros do supremo:

- mas, afinal de conta, o que é que eles vão julgar?

- julga se há uma data para o candidato começar a ser limpo,

- ou se a sujeira dele é beneficiada pelo princípio da anualidade,

- ou se a limpeza dele é beneficiada pelo princípio da publicidade

- e/ou se o princípio da retroatividade beneficia os sujos históricos.

2º - O partido fica proibido de assumir qualquer coligação partidária, em respeito a linhas programáticas e ideológica dos seus seguidores, e principalmente em respeito aos outros partidos, para que eles possam crescer com suas próprias pernas e honrar preceitos estatutários antagônicos;

- Com a proibição de coligações estatuarias, teríamos partidos puros sem coligações, ou seja:

- ganhou governa;

- perdeu vira oposição.

Acabariam com os partidos parasitas, que vendem seus nomes, vendem seus candidatos e vendem seus horários políticos, e ficam aguardando as famosas “boquinhas” dos cargos em órgãos públicos, esperando pelos loteamentos dos Ministérios e Secretariados;

Infelizmente aqui no Brasil se faz piadas com coisa séria, os candidatos confiam na pouca inteligência do povo, e confiam na memória curta daqueles que votaram neles, e confiam que na dificuldade o povo acaba virando presas fáceis, sendo comprados diretamente (Bolsas Famílias) e indiretamente com propostas de benefícios futuros (Empregos para Dependentes).

Ao pensarmos profundamente, somos sombras de tudo que imaginamos e esses desejos de evolução, desejos de dias melhores, são incorporados no sentido da vida. Cada dia que passa em nossas vidas, abrimos uma franquia mental, e vamos depositando sonhos sem definições, que vão esbarrando nas decepções em elegermos candidatos angariadores de evoluções patrimoniais e gulosos do dinheiro público.

Na realidade nós somos as sombras de tudo que imaginamos, pois incorporamos em todos os sentidos da vida nossos objetivos, e em cada dia que passa abrimos uma franquia mental baseada em tudo que achamos que já aprendemos, com uma bela definição de projetos utópicos sustentados através de missões de falsos líderes.

O grande dilema é oriundo da falta de discernimento dos eleitores em saber escolherem os menos enganadores ou os menos dissimulados.

E isso é muito difícil, é como acertar quantas espinhas tem uma semente de pequi.

Você sabe?

Você sabe ao menos em quem você votou?

Você sabe qual o político e o partido, que você franqueou em seu nome?

(*) WILSON CAROS FUÁ é economista, especialista em Administração Financeira e Recursos Humanos. E-mail: fuacba@hotmail.com

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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