Durante muito tempo, o Alzheimer foi compreendido quase exclusivamente como uma consequência natural do envelhecimento. Hoje, essa percepção já não dá conta da complexidade da doença. O Fevereiro Roxo, campanha nacional de conscientização sobre o Alzheimer e outras doenças neurodegenerativas, nos convida a ampliar o olhar: mais do que uma enfermidade associada à velhice, o Alzheimer é também reflexo das transformações profundas no modo como vivemos.
O estilo de vida moderno, marcado pelo excesso de telas, estresse crônico, privação de sono, sedentarismo e pelo crescimento das doenças mentais, tem impacto direto sobre a saúde do cérebro. Esses fatores não apenas contribuem para o aumento no número de diagnósticos, como também influenciam a forma como a doença se manifesta. Cada vez mais, o Alzheimer é identificado precocemente e, em muitos casos, seus primeiros sinais vão além da perda de memória.
Dificuldades para planejar tarefas simples, organizar despesas, seguir uma receita, tomar decisões cotidianas, alterações de linguagem, mudanças de comportamento, apatia, irritabilidade e desorientação espacial costumam ser sintomas iniciais frequentemente ignorados. Não raramente, esses sinais são atribuídos ao estresse, à ansiedade ou à depressão, o que atrasa o diagnóstico e o início do acompanhamento adequado.
É verdade que o envelhecimento populacional segue sendo o principal fator de risco. Quanto mais se vive, maior a probabilidade de desenvolver algum tipo de demência. Entretanto, os avanços da ciência e o maior acesso à informação também explicam o aumento dos diagnósticos. Hoje, exames laboratoriais capazes de identificar proteínas associadas ao Alzheimer, aliados a ressonâncias magnéticas com marcadores específicos e ao uso de inteligência artificial no rastreio cognitivo, permitem detectar a doença de forma mais precoce e precisa.
Outro ponto que merece atenção é o Alzheimer de início precoce, que pode surgir entre os 40 e 60 anos. Embora mais raro, esse tipo costuma ter evolução mais rápida e provoca impactos profundos na vida familiar, social e profissional, por atingir pessoas em plena idade produtiva.
Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, incluindo terapias que atuam diretamente na biologia da doença, o Alzheimer ainda não tem cura. Por isso, a prevenção segue sendo o caminho mais eficaz. Ela passa, necessariamente, pela adoção de hábitos saudáveis: cuidar do sono, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas, estimular a mente, preservar a saúde cardiovascular e buscar apoio para a saúde emocional.
Na Unimed Cuiabá, entendemos que falar de Alzheimer é falar de cuidado integral. Por meio do Viver Bem, nosso núcleo de medicina preventiva, oferecemos acompanhamento desde o diagnóstico até o cuidado contínuo do paciente e de sua família. São realizados testes cognitivos, exames para exclusão de outras causas, orientações sobre manejo da doença e suporte permanente de uma equipe multiprofissional. Também disponibilizamos cursos on-line de educação em saúde para cuidadores, fortalecendo a rede de apoio essencial para quem convive com a doença.
O Fevereiro Roxo nos lembra que a memória não é apenas um arquivo do passado, ela é parte fundamental de quem somos. Alzheimer não escolhe idade, e a vida não dá avisos. Cada memória preservada hoje é um investimento no amanhã. Cuidar da mente, do corpo e das relações é um gesto de responsabilidade com o presente e de respeito com o futuro.
(*) CARLOS BOURET é diretor-presidente da Unimed Cuiabá e médico urologista.
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