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Artigos Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026, 15:17 - A | A

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Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026, 15h:17 - A | A

VIVALDO LOPES

A safra de soja de 2026

VIVALDO LOPES

Levantamentos publicados pela Companhia Nacional de Abastecimento - Conab e IBGE, atualizados até fevereiro, mostram que a safra nacional de soja de 2026 será a maior da história.

Segundo relatórios divulgados pela Conab e IBGE, que fazem o acompanhamento periódico do plantio e colheita da safra nacional de cereais, oleosas e leguminosas, a estimativa é que o Brasil vai colher 178 milhões de toneladas de soja na safra 2026, plantada em 2025.

O aumento da produção virá da expansão de área plantada com soja no país, aumento da demanda externa, principalmente das exportações para a China, e da retomada da produção de soja nos estados do Rio Grande do Sul e Paraná, após enfrentarem escassez e excesso de chuvas nos anos anteriores. A demanda doméstica também contribuiu para a expansão da produção de soja, com o aumento do consumo humano, puxado pelo aumento do emprego e da renda média, elevação do consumo de soja para rações animais e para produção de biodiesel.

Dois fatores favoreceram o aumento da produção de soja. O primeiro foi a decisão do governo federal de aumentar para 15% o percentual de mistura de óleos vegetais no diesel. Como o óleo de soja responde por 95% dessa mistura, a medida ajudou a impulsionar a produção da leguminosa. O segundo fator é o aumento do consumo de carnes. O farelo de soja é o principal componente das rações de suínos, aves e bovinos. Para aumentar a produção de carnes, a indústria frigorífica precisa de mais ração e, por conseguinte, demanda mais farelo de soja.

Em Mato Grosso, os dados iniciais disponíveis indicam que a produção de soja chegará a 51 milhões de toneladas, derivada do aumento do rendimento físico (produtividade) das lavouras e de pequena expansão da área cultivada. 

O incremento de produção de soja em Mato Grosso é impulsionado pelo aumento do consumo interno e da elevação das exportações para a China. Aquele país asiático, após o abusivo aumento de tarifas comerciais determinado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziu drasticamente importações de soja dos fazendeiros americanos e compra mais dos agricultores brasileiros. 

Mesmo com a excelente safra estadual, o desafio dos empresários rurais em 2026 continua sendo a recuperação da rentabilidade. As margens brutas do segmento agrícola não se apresentam tão promissoras quanto o crescimento da produção e da demanda. Os produtores agrícolas já vinham trabalhando com baixas margens de lucro desde as safras de 2024 e 2025.  Em 2025 a rentabilidade foi reduzida em razão de aumento dos preços de fertilizantes e defensivos importados e preços internacionais em queda com o aumento dos estoques mundiais de soja. 

A forte redução de compras de soja americana pelos chineses fez aumentar os estoques mundiais da commodity. Além disso, o aumento do custo do crédito agrícola, pressionado pela Selic em 15% ao ano, colaborou para redução das margens de lucro.

Um dos indicadores que confirmam a queda da rentabilidade é o forte aumento da inadimplência bancária do setor agropecuário. Essa alta na inadimplência do setor foi relevante para a redução dos lucros do Banco do Brasil em 2025, líder de mercado em financiamentos agrícolas. A ponto desse fato constar nas explicações dadas pela alta direção do banco estatal aos acionistas e agentes do mercado financeiro, quando da publicação do balanço anual de 2025.

Em 2026 os custos operacionais serão reduzidos com o câmbio mais favorável e expectativa de início do ciclo de redução gradual da taxa básica de juros para 11,75% ao final do ano.

Em regiões onde a cadeia agropecuária é o setor econômico dominante, como é caso de Mato Grosso, o aumento da produção de soja impulsiona a economia, colaborando para manter aquecido o mercado de trabalho e a renda das famílias. Segundo dados da Pnad/IBGE, em Mato Grosso a taxa de desemprego é de 2,2% (pleno emprego), a menor entre os estados brasileiros. 

A longa cadeia produtiva da soja, principal produto agrícola do país e de Mato Grosso traciona outros arranjos produtivos de suprimentos como venda de veículos, caminhões, maquinários agrícolas, fretamentos, comércio varejista, setor de serviços, mercado imobiliário residencial e corporativo.

A boa safra de soja também contribui para a boa performance do setor agropecuário, ajudando a impulsionar, de forma expressiva, o desempenho do PIB nacional, como aconteceu em 2025. 

(*) VIVALDO LOPES é professor, economista e ex-secretário de Fazenda de Cuiabá e de Mato Grosso.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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