Todos os anos, a Campanha da Fraternidade nos oferece mais do que um tema para reflexão. Durante a Quaresma, somos chamados a oração, conversão e caridade, tempo propício para aprofundar a vivência no Evangelho. Ela nos propõe um modo de olhar a realidade, de escutar os clamores do povo e de permitir que o Evangelho ilumine os desafios do nosso tempo.
Em 2026, a Igreja no Brasil nos convida a sair da superficialidade e a tocar o coração da vida concreta, em nossos lares, onde a fraternidade se constrói ou se rompe em nossas famílias.
Vivemos um tempo marcado por contrastes. De um lado, avanços tecnológicos, novas formas de comunicação e possibilidades inéditas de encontro. De outro, feridas abertas: desigualdades persistentes, exclusões silenciosas, relações fragilizadas e um certo cansaço coletivo que vai minando a esperança.
A Campanha da Fraternidade surge justamente nesse cruzamento, lembrando-nos que não há fé autêntica que se feche em si mesma ou que ignore a dor do irmão. Como nos alerta Jesus na passagem de Mateus, capítulo 5: “Vós dois o sal da terra...Vós sois a luz do mundo”.
A fraternidade, tão frequentemente evocada, não é um sentimento abstrato nem um discurso genérico. Ela se traduz em escolhas concretas: na forma como cuidamos uns dos outros, como organizamos a vida em sociedade, como acolhemos os mais vulneráveis e como assumimos responsabilidade pelo bem comum.
A Campanha da Fraternidade 2026 nos provoca a compreender que não basta reconhecer as necessidades de nossos irmãos e irmãs; é preciso comprometer-se para que todos tenham moradia, e moradia digna! Somos caminhos de transformação.
Essa proposta tem raízes profundas no Evangelho. Jesus não passou indiferente pela história humana. Ele tocou as feridas, sentou-se à mesa com os excluídos, devolveu dignidade aos esquecidos e ensinou que amar a Deus, necessariamente, por amar o próximo.
A espiritualidade quaresmal, vivida à luz da Campanha da Fraternidade, recorda-nos que conversão não é apenas mudança interior, mas também mudança de atitudes, de estruturas e de prioridades. Nosso jejum, esmola e oração, devem ser concretas; como diz o profeta Izaias na Sagrada Escritura: “partilhar o pão com quem tem fome”; isso, significa, não ignorar a necessidade do próximo.
Como Igreja, somos chamados a ser sinal de esperança. Isso implica diálogo, escuta, discernimento e ação. Implica também reconhecer limites, rever práticas e fortalecer tudo aquilo que gera vida, justiça e comunhão. A Campanha da Fraternidade não é um evento passageiro, mas um processo educativo e espiritual que deseja formar consciências e inspirar gestos concretos.
Que a Campanha de 2026 nos ajude a redescobrir a beleza de caminhar juntos, a coragem de cuidar com responsabilidade e de construir uma sociedade mais fraterna, onde ninguém seja invisível e onde a fé se traduza em amor efetivo.
(*) DOM MÁRIO ANTONIO DA SILVA é Arcebispo na Arquidiocese de Cuiabá
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