O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), rebateu as recentes críticas da prefeita Flávia Moretti (PL) questionando a eficácia da gestão municipal e a aplicação de recursos vultuosos no ano anterior, devido ao limite de 5% para remanejamento orçamentário imposto pela Casa de Leis. Durante entrevista à imprensa nesta quarta-feira (10), Cerqueira justificou a resistência da Casa em ampliar a autonomia financeira da prefeita e criticou a judicialização do tema.
“Ela [Flávia] entrou com uma ADI na Justiça, nós recorremos, porque é uma prerrogativa na Câmara. Porque ano passado a prefeita teve 25% de remanejamento, ela remanejou R$ 500 milhões de reais e a gente não vê nada acontecendo na cidade”, declarou Wanderley.
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A fala do presidente ocorre após Moretti acusar o Legislativo de promover um "boicote" e de "travar" a execução de políticas públicas. Segundo Moretti, o teto de 5% para remanejamentos internos impede a continuidade de serviços essenciais, o que a levou a ingressar com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Tribunal de Justiça para tentar reverter a decisão da Câmara.
Ao justificar, o vereador ressaltou que o orçamento deste ano ultrapassou o valor repassado em 2025, além de questionar os investimentos realizados pela Prefeitura, após o Pronto-Socorro de Várzea Grande (PS/VG) anunciar, nesta terça-feira (9), uma restrição temporária devido à superlotação.
“Nós temos um orçamento hoje de R$ 2,37 bilhões, R$ 300 milhões a mais do que ano passado. Ano passado ela teve 25% de remanejamento, ela remanejou R$ 500 milhões, e aí você vê um pronto-socorro fechando as portas, e aí você não vê ação, você vê uma cidade toda esburacada, você vê falta de água, e os R$ 500 milhões foi para onde? O que foi feito com esses R$ 500 milhões?”, questionou.
Apesar do embate público, houve um recuo pontual na última semana, quando a Câmara aprovou o repasse de R$ 5,8 milhões para a Secretaria de Saúde, destinados ao custeio de serviços e compra de insumos. No entanto, Flávia Moretti sustenta que a medida é insuficiente e que o presidente da Casa continua sendo seletivo na pauta, mantendo travados projetos como a renegociação de dívidas do Departamento de Água e Esgoto (DAE).
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O impasse agora aguarda manifestação do Procurador-Geral de Justiça (PGJ) para que o Tribunal de Justiça decida sobre a constitucionalidade do limite orçamentário imposto pelos vereadores. Enquanto isso, a troca de acusações entre Cerqueira e Moretti evidencia que a aprovação de verbas específicas não foi capaz de encerrar a "guerra fria" política em Várzea Grande.
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