O presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Max Russi (Podemos), rebateu a governadora do Pará, Hana Ghassan Tuma (MDB-PA), afirmando que o interesse de Mato Grosso sobre a disputa de divisa territorial dos estados são os cidadãos que habitam e dependem dos serviços de Saúde e Educação. Audiência de conciliação sobre a disputa ocorre no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (10), pela manhã.
Em vídeo publicado em suas redes sociais, a gestora paraense reforçou sua decisão de não “abrir mão de um palmo” das terras em disputa. Para Max Russi, no entanto, o bem-estar e acesso à infraestrutura pública da população local deve sobrepor o debate da definição da divisa.
“Governadora, nós não podemos faltar com a verdade. Mato Grosso não está em busca de nenhum palmo de terra. Essa decisão da terra já foi tomada lá atrás pelo Supremo Tribunal Federal. Nós queremos, governadora, que aquela população seja atendida. Se o Pará atender aquelas pessoas, está tudo resolvido”, afirmou Russi, em vídeo publicado nesta quarta-feira (10).
Conforme declaração de Hana, apesar do respeito ao estado mato-grossense, o Pará não tem interesse em ceder nenhuma parte do território, já que seu papel como gestora deve priorizar a população local.
“Reafirmo de antemão, nós não vamos abrir mão de um palmo das nossas terras. Estamos falando de segurança, de integridade, de defesa das nossas riquezas, da nossa gente e do nosso chão. Eu respeito nossos vizinhos e vou trabalhar sempre pelo diálogo e pelo bom relacionamento. Mas meu papel como governadora é proteger, em primeiro lugar, os interesses do povo paraense”, disse, em registro disseminado em suas redes sociais nesta terça-feira (9).
A governadora do estado vizinho reforçou o recado ao declarar que: “Eu garanto, só volto de Brasília com a vitória. Segundo, dar um recado a qualquer um que pensa que pode avançar sobre o que é nosso. Pense de novo. Este estado tem governo, tem lei e tem regra (...) A história vai cobrar de quem for mentir”, afirmou Hana, subindo o tom da disputa.
Por outro lado, Russi pontuou que se a gestora prover os serviços públicos que Mato Grosso já fornece aos moradores da região, não haverá disputa.
“Se o Pará cuidar daquelas pessoas, não precisa ter discussão nenhuma, está tudo resolvido. Mas, se o Pará continuar deixando aquela população abandonada, esquecida, sem educação, sem saúde, sem o mínimo de dignidade, e elas precisarem do estado de Mato Grosso...”, concluiu.
A disputa territorial entre Mato Grosso e Pará envolve uma área de aproximadamente 22 mil km², envolvendo municípios como os mato-grossenses como Paranaíta e Alta Floresta e os paraenses como Altamira, Jacarecanga, Novo Progresso, Santana do Araguaia, São Félix do Xingu e Cumaru do Norte, todos situados em áreas de fronteira administrativa historicamente contestadas.
CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DA AUDIÊNCIA:
9h – abertura dos trabalhos pelo ministro Flávio Dino
9h15 – manifestações do Poder Executivo estadual e municipal de Mato Grosso
9h30 – manifestações do Poder Legislativo federal, estadual e municipal de Mato Grosso
9h45 – manifestações do Poder Executivo estadual e municipal do Pará
10h – manifestações do Poder Legislativo federal, estadual e municipal do Pará
10h15 – debates e esclarecimentos complementares
10h45 – manifestação da Procuradoria-Geral da República e encerramento pelo ministro Flávio Dino
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