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Política Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 14:58 - A | A

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Quinta-feira, 29 de Outubro de 2026, 14h:58 - A | A

CARTA 'ANTIDEMOCRÁTICA'

Rosa Neide critica fuga de Flávio e descarta interferência dos EUA no Brasil

Em entrevista nesta quinta-feira (29), deputada federal eleita Rosa Neide (PT) acusou o senador de priorizar interesses pessoais ao deixar o país e descartou risco de interferência norte-americana na transição presidencial

BIANCA MORTELARO
Da redação

Reprodução

ROSA NEIDE E LULA

A deputada federal eleita Rosa Neide (PT) criticou, nesta quinta-feira (29), a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil após a derrota na eleição presidencial e a divulgação de uma carta em que ele se declarou o “verdadeiro presidente eleito”, mesmo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A petista acusou o adversário de desrespeitar o resultado das urnas e de priorizar interesses familiares, mas afirmou não acreditar em uma nova mobilização semelhante aos atos de 8 de janeiro de 2023 ou em uma interferência dos Estados Unidos na posse do presidente reeleito.

“Alguém que falou tanto de refazer democracia, sendo que a gente vive num país democrático, fala de liberdade e não respeita o resultado de eleição, né? A gente sabe que ele queria ser presidente da República para resolver os problemas familiares do pai, dele, de irmãos, do irmão que está nos Estados Unidos. Então, assim, quase metade da população brasileira votou numa familícia”, disse em entrevista.

LEIA MAIS: Após Flávio se declarar eleito em carta, presidente do PL em MT reconhece vitória de Lula

As declarações ocorrem após Flávio deixar o país na terça-feira (27), atravessando a fronteira com a Argentina, de onde embarcou para Miami, nos Estados Unidos, acompanhado da esposa e das filhas. Na quarta-feira (28), o senador divulgou uma carta que circulou em três versões.

Nas duas primeiras, distribuídas por aliados, ele se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”, enquanto na terceira alterou a expressão para “líder do Brasil”. O documento também questiona a legitimidade da eleição, embora não apresente provas das supostas fraudes.

Rosa também fez críticas à atuação política do senador e de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos. Na avaliação da petista, as iniciativas da família teriam colocado interesses particulares acima das questões econômicas e das necessidades da população brasileira.

“O Flávio é uma pessoa sem formação, equivocado, que só pensa nele e na família dele, não pensa no povo brasileiro, não pensa na economia do Brasil, nem naqueles que é da Faria Lima que ele dizia defender. Eduardo foi para os Estados Unidos e provocou que o Trump taxasse o Brasil. Então assim, o povo brasileiro demorou um pouco para cair a ficha, mas eu creio que agora não precisa mais desenhar”, declarou.

Questionada sobre a possibilidade de novas turbulências políticas após a posse de Lula, incluindo o risco de episódios semelhantes à invasão das sedes dos Três Poderes, em Brasília, no dia 8 de janeiro de 2023, Rosa Neide descartou, em sua avaliação, uma interferência do governo norte-americano para contestar a recondução do petista à Presidência.

“Isso eu não creio mais, porque o Trump já deixou claro que ele gosta do Lula, que ele já está sabendo onde está pisando, que ele não vai interferir em nada aqui, eu creio que com relação a isso, não. Ele continua fazendo algumas provocações, porque ele quer tudo para os Estados Unidos”, afirmou.

A manifestação ocorre depois de Trump declarar, na quarta-feira (28), que não pretende se envolver na situação política brasileira, ao ser questionado sobre a carta divulgada por Flávio Bolsonaro. Apesar disso, o presidente norte-americano voltou a levantar suspeitas sobre a eleição brasileira, sem apresentar elementos que comprovem irregularidades, e confirmou que os Estados Unidos autorizaram a entrada do senador e de sua família no país.

Para Rosa Neide, as relações comerciais e diplomáticas mantidas pelo Brasil com outros países, especialmente a China, também representam um fator de estabilidade diante de possíveis pressões externas. A petista acredita que Trump deverá concentrar suas atenções nas questões internas dos Estados Unidos, que realizam eleições legislativas em novembro.

“Ele quer mídia, ele quer economia do lado deles, ele quer dinheiro para o país dele, mas a nossa relação com a China, com os demais países é muito segura, muito sustentável, e o Trump eu acho que vai ficar acuado lá no lugar dele depois das eleições deste próximo mês”, concluiu.

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