O presidente da Câmara Municipal de Lucas do Rio Verde (332 km de Cuiabá), Airton Callai (Republicanos), condenou a criação de listas de boicote contra comércios de apoiadores do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar criticou a radicalização política, comparou a iniciativa a práticas de perseguição da Segunda Guerra Mundial e alertou que a divisão ideológica pode prejudicar a economia do município, atingindo empresários e trabalhadores.
“O radicalismo não leva a nada, somente a nos afastar ainda mais. Nós temos que entender e fazer uma reflexão que o comércio local não pode ser atingido por listas de boicote. Nós tivemos listas de boicote na Segunda Guerra Mundial, mas agora não cabe isso para o comércio. O comércio é o que fortalece a roda do nosso município, é o que gera emprego e gera renda”, afirmou em declaração à imprensa local, nesta quarta-feira (28).
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As declarações ocorrem após a circulação de mensagens em grupos de WhatsApp no município incentivando a elaboração de listas de empresas cujos proprietários teriam declarado apoio a Lula ou comemorado sua vitória no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25).
As conversas, atribuídas aos grupos “Movimento Direita LRV” e “Engenheiros e Arquitetos”, também incluem manifestações contrárias à chegada de trabalhadores de outras regiões do país, especialmente do Nordeste, e referências à violência.
Apesar de ter apoiado Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial, Callai defendeu que as divergências políticas não sejam utilizadas para justificar represálias contra comerciantes e moradores. O vereador também questionou a contradição entre condenar perseguições por posicionamentos ideológicos e adotar práticas semelhantes contra quem pensa diferente.
“O meu candidato a presidente teve que sair do país para não ser preso. Isso é uma perseguição, do meu ponto de vista. Então, se nós condenamos o estilo de perseguição, nós também vamos praticar o que nós condenamos? Até mesmo com pessoas que vieram de outros locais, que contribuem todos os dias para o Lucas do Rio Verde ser diferente, crescer desde o seu início, nós não podemos passar por isso no século 21”, declarou.
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O presidente do Legislativo ainda destacou que o funcionamento dos estabelecimentos envolve investimentos, empregos e relações comerciais que ultrapassam as preferências políticas de seus proprietários.
“O comércio não é só um restaurante. O comércio não é só uma borracharia, não. O comércio é gente que aplica dinheiro, que tem sonho, que gera emprego, que gera renda, que compra no outro comércio. E quem sabe em ideologia diferente. Nós temos que parar com segregação. O Brasil é um só”, ressaltou.
Callai concluiu defendendo que, encerrada a disputa eleitoral, a população concentre seus esforços na fiscalização e cobrança dos representantes eleitos, em vez de alimentar divisões entre moradores e empresários.
“Nós precisamos cobrar em quem a gente votou agora. É o que nós temos que fazer. E parar com esse negócio de listas porque isso enfraquece a cidade inteira. Cria ilhas e quem cria ilhas não constrói pontes”, concluiu.
A repercussão das mensagens levou a Polícia Civil de Mato Grosso a instaurar um inquérito para investigar possíveis crimes relacionados às mensagens divulgadas. O Centro de Tradições Nordestinas (CTN) de Lucas do Rio Verde também reuniu registros das manifestações e procurou autoridades para solicitar a apuração dos fatos.
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