O relatório do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), que norteia a Operação Cathedra Venalis, destaca que o escritório na casa da mãe do presidente da Câmara de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), estava equipado com equipamentos para gravações clandestinas que teriam sido usadas para chantagear vereadores na cooptação por votos à reeleição de Wanderley.
Conforme os autos, após reuniões na casa da mãe de Wanderley, as gravações eram utilizadas para fazer pressão política e cartas de renúncia foram assinadas antecipadamente, indicando força de constrangimento e chantagem.
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As informações aparecem no inquérito em que 'testemunha sem rosto' descreve o método que incluiria o pagamento mensal de R$ 10 mil a vereadores, conhecido como "mensalinho".
O depoimento do vereador Caio Cordeiro (Novo) também integra os elementos reunidos pelo Gaeco. Ele afirmou que Wanderley teria oferecido R$ 100 mil para que votasse a favor de sua reeleição. Caio também cita o escritório na casa da mãe do presidente. De acordo com o vereador, Wanderley guardava sacola com dinheiro que eram repassadas aos vereadores.
Caio afirmou que foi ameaçado com a divulgação de gravação em que aparece recebendo dinheiro. Ele explicou que fez empréstimos com Wanderley e temeu que o episódio registrado saísse do contexto ao ser vazado.
Ainda segundo o vereador, Wanderley recebia 'quebra' de R$ 200 mil de empresa de transporte para manter a operação da sua base política. O vereador, contudo, ressalvou ao Gaeco que não tinha como provar se outros vereadores recebiam o chamado "mensalinho".
OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na terça-feira (20) e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ação mobilizou mais de 200 agentes e teve como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A força-tarefa reúne o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Gaeco, além das polícias Militar, Civil e Penal e do Sistema Socioeducativo.
Entre os vereadores de Várzea Grande citados na operação estão Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP) e Gisa Barros (Podemos).
As suspeitas seguem sob investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos citados.
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