O ex-vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), negou ter interesse em assumir o mandato da prefeita Flávia Moretti (PL) a partir da cassação da bolsonarista. A suposta articulação patrocinada por Tião para derrubar Flávia é mencionada pelo vereador Caio Cordeiro (Novo) em depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), no âmbito da Operação Cathedra Venalis. Conforme Tião, quando o PL definia quem seria o cabeça de chapa às eleições 2024, seu nome tinha mais peso que o de Flávia, que iniciava sua trajetória na política.
"Se eu tivesse intenção de estar no lugar da Flávia, eu era candidato. O meu nome é muito mais forte do que o dela, eu poderia me candidatar. Eu não me candidatei porque não tinha intenção de ser prefeito”, afirmou Tião com exclusividade ao HNT nesta quarta-feira (21).
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O ex-vice-prefeito também disse que optou por se afastar da gestões por não compactuar com as decisões de Flávia. Entre as decepções de Tião estão a recusa de Flávia em acolher suas indicações à composição do secretariado. Para não continuar em choque com Flávia, Tião focou na eleição à presidência da Fecomércio MT, da qual saiu vitorioso, sendo o atual titular no cargo.
"Eu não compactuei com o que estava acontecendo lá. Nós fomos eleitos por um voto de protesto. E, a partir do momento que ela trouxe as pessoas da gestão anterior, eu não compactuei e saí fora totalmente do projeto", asseverou.
Tião também contestou as declarações de Caio Cordeiro e cobrou provas que sustentem as acusações. O ex-vice-prefeito ainda afirmou que está disponível para prestar esclarecimentos e aos demais órgãos.
"Eu acho que ele tem agora a oportunidade de provar. Até porque a Justiça pode ser feita tanto para mim quanto para ele", concluiu.
OPERAÇÃO CATHEDRA VENALIS
A Operação Cathedra Venalis foi deflagrada na terça-feira (20) e cumpriu 30 mandados de busca e apreensão em Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães. A ação mobilizou mais de 200 agentes e teve como alvos 15 vereadores, sendo 13 de Várzea Grande e dois de Cuiabá. A força-tarefa reúne o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio do Gaeco, além das polícias Militar, Civil e Penal e do Sistema Socioeducativo.
Entre os vereadores de Várzea Grande citados na operação estão Cilcinho (PV), Braz Jaciro (PSDB), Alessandro Moreira (MDB), Wender Madureira (Republicanos), Sargento Galibert (PSB), Dr. Miguel Júnior (Cidadania), Lucélia Oliveira (Agir), Kleberton Feitoza (PSB), Raul Curvo (Republicanos), Enfermeiro Emerson (PP) e Gisa Barros (Podemos).
As suspeitas seguem sob investigação e não representam, por si só, comprovação de responsabilidade criminal dos citados.
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