Sexta-Feira, 18 de Setembro de 2020, 16h:30

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Bolsonaro elogia produtores que não cumpriram isolamento social: "Ficar em casa é para os fracos"

Por: RAYNNA NICOLAS

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) criticou, nesta sexta-feira (18), as medidas de isolamento social que foram adotadas como principal método de combate à propagação da Covid-19. Durante discurso para produtores rurais em Sorriso (397 km de Cuiabá), o presidente afirmou que "ficar em casa é para os fracos". No Brasil, a pandemia do coronavírus já deixou mais de 135 mil mortos, conforme levantamento do Consórcio brasileiro de Imprensa. 

Mayke Toscano

Mendes e Bolsonaro

 

"Vocês não pararam durante a pandemia. Vocês não entraram naquela conversinha mole de "fica em casa que a economia a gente vê depois" isso é para os fracos. O vírus, eu sempre disse, era uma realidade e tínhamos que enfrentá-lo, nada de se acovardar perante aquilo que nós não podemos fugir", disse. 

Contrariando cientistas e médicos mais uma vez, o presidente ainda se referiu no passado a um vírus que continua vitimando, em média, 779 pessoas por dia. A média móvel de casos, por sua vez, ultrapassa a casa de 30 mil novas confirmações a cada 24 horas. 

Durante o discurso, o presidente elogiou a atuação do agronegóicio e afirmou que o Estado evitou que o Brasil entrasse em colapso econômico. Bolsonaro também falou sobre as queimadas e, mais uma vez, diminuiu a gravidade da situação. 

Para o gestor, o que ocorre no Brasil são "alguns" focos de incêndio, que acontecem a anos. Mas, ao contrário do que afirma Bolsonaro, os dados do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso (CBM-MT) revelam que quase 2 milhões de hectares do Pantanal já foram devatados pelo fogo.

Para Bolsonaro, o repudio internacional à destruição no bioma é fruto do interesse de outros países no agronegócio brasileiro. 

"Estamos vendo alguns focos de incêndio acontecendo pelo Brasil, isso acontecesse há anos e temos sofrido crítica muito grande. Obviamente, quanto mais nos atacarem melhor interessa para nossos concorrentes para o que temos de melhor, o nosso agronegócio", disse.

Em seguida rebateu as críticas internacionais. "Países outros que nos criticam não tem problema de queimada porque já queimaram tudo no seu país", declarou.

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