17h30 - A defesa de Wellington Honorato dos Santos reconheceu a autoria do homicídio de Bruna de Oliveira, mas pediu punição "proporcional" ao réu, descartando qualquer tentativa de absolvição. O advogado João Francisco de Assis Neto afirmou não ser "falso moralista nem demagogo" ao defender que o cliente "está devendo e tem que pagar", porém dentro de critérios de razoabilidade.
Em sua argumentação, o defensor rebateu a tese de feminicídio e negou que o crime tenha ocorrido por motivo fútil relacionado à venda de um ventilador. "Não foi por conta de um ventilador", afirmou, sustentando que Wellington agiu sob "terror" diante de ameaças atribuídas à vítima sobre suposta ligação com facção criminosa.
O advogado classificou o réu como pessoa de "boa índole" que cometeu erro grave, mas que mereceria consideração por sua história de vida e condição de primário.
Promotoria diz que defesa tentou "transformar vítima em criminosa" durante do júri
16h - O promotor Herbert Dias Ferreira criticou a linha de defesa adotada por Wellington Honorato dos Santos durante o julgamento pelo homicídio de Bruna de Oliveira, classificando como uma "afronta" a tentativa de depreciar a imagem da vítima, atribuindo à vítima uma suposta ligação com facções criminosas e tráfico de drogas. "O que estamos vendo hoje é, infelizmente, uma versão unilateral do réu. Mais do que meu compromisso como promotor, é meu dever como ser humano defender a memória de Bruna", afirmou.
Ferreira resgatou a trajetória da jovem que se tornou mãe na adolescência após ser expulsa de casa. Apesar das adversidades, incluindo internação por uso de drogas e convivência com uma mãe alcóolatra e depressiva, Bruna reconstruiu sua vida e dedicava-se integralmente às três filhas, de 12, 6 e 4 anos. "O que vemos aqui é uma jovem que tinha tudo para se tornar uma criminosa, mas permaneceu como vítima", destacou o promotor.
A acusação apontou sérias contradições no depoimento de Wellington, que oscilou entre negar o uso de drogas e admitir o consumo de cocaína com a vítima; afirmar que não saiu para comprar entorpecentes e depois dizer que saiu; além de mudar a versão sobre a origem do dinheiro utilizado. "O que vemos aqui é uma afronta à inteligência", declarou o promotor.
O promotor questionou a estratégia da defesa, que teria dedicado tempo excessivo a atacar a imagem de Bruna em vez de construir argumentos de defesa. "Se a vítima fazia tudo isso [supostamente ligada a facções e tráfico], por que levaria o réu para casa?", indagou. Ao final, fez apelo emocionado à avó da vítima, Zulmira da Rosa: "Falhamos em impedir a morte de Bruna, mas vamos lutar para que essa tragédia não transforme a vítima em uma criminosa".
“Eu quebrei o pescoço dela”, confessa feminicida que admite ter que pagar pelo que fez
14h40 - Wellington Honorato dos Santos, acusado do feminicídio de Bruna de Oliveira ocorrido em junho de 2024, prestou depoimento no Tribunal do Júri realizada nesta terça-feira (27) e admitiu a autoria do crime, atribuindo os fatos ao consumo de cocaína e a ameaças relacionadas a facções criminosas feitas pela vítima. Ele chorou ao pedir perdão à família de Bruna e afirmou: "errei" e "tem que pagar pelo que fez".Wellington Honorato dos Santos, acusado do feminicídio de Bruna de Oliveira ocorrido em junho de 2024, prestou depoimento no Tribunal do Júri realizada nesta terça-feira (27) e admitiu a autoria do crime, atribuindo os fatos ao consumo de cocaína e a ameaças relacionadas a facções criminosas feitas pela vítima. Ele chorou ao pedir perdão à família de Bruna e afirmou: "errei" e "tem que pagar pelo que fez".
Segundo seu relato ao Ministério Público, o crime teve origem em uma sequência de confrontos no dia dos fatos. Wellington afirmou que Bruna se aproximou inicialmente para pedir desculpas após tê-lo ameaçado anteriormente, alegando ser integrante do PCC apenas porque ele é natural de Alagoas, estado historicamente associado à facção. Ambos consumiram bebida alcoólica e cocaína na quitinete onde o réu residia.
Sob efeito dos entorpecentes, Bruna teria batido no próprio peito e confirmado sua suposta ligação com a facção, afirmando que chamaria "os irmãozinhos dela". "Ela ficava falando de facção e que iria chamar os irmãozinhos dela, e eu quebrei o pescoço dela", declarou. Questionado sobre o corte no pescoço, disse não se lembrar de ter degolado Bruna, atribuindo os ferimentos ao arrastamento do corpo.
Wellington descreveu que amarrou o corpo com uma corrente e uma corda na garupa da motocicleta para transportá-lo até uma valeta no Parque Florestal. "O corpo acabou caindo e sendo arrastado enquanto eu seguia com a moto", relatou.
Ao ser confrontado sobre a versão de que o desentendimento teria ocorrido por causa da venda de um ventilador, o réu afirmou que a discussão surgiu porque Bruna queria levar o eletrodoméstico para comprar drogas.
“Quero que ele pague pelo que ele fez”, diz avó de Bruna
12h30 - A avó materna de Bruna de Oliveira, Zulmira da Rosa, descreveu a neta como uma mulher alegre e extremamente zelosa com as três filhas, de 12, 6 e 4 anos, apesar das dificuldades enfrentadas ao longo da vida.
Em seu relato, a senhora revelou que Bruna teve a primeira filha aos 15 ou 16 anos e conviveu com uma relação complicada com a própria mãe, que sofria de alcoolismo e depressão. A jovem teria enfrentadoproblemas com drogas, tendo sido internada em algum momento, mas, segundo Zulmira, sempre priorizou o cuidado com as crianças. A filha mais velha permanecia sob guarda da avó paterna, mas com acompanhamento constante da mãe.
No sábado anterior ao crime, a jovem deixou as meninas aos cuidados da avó com o seguinte recado: "Mãe, cuida das meninas que vou lá limpar a minha quitinete". Horas depois, um vizinho enviou uma mensagem ao celular de Zulmira informando que algo havia acontecido com Bruna.
Questionada sobre Wellington, Zulmira afirmou não se recordar de tê-lo visto, embora soubesse que ele morava em frente à quitinete onde Bruna residia e frequentava o local para "puxar amizade com ela". Ao final do depoimento, fez um apelo direto à Justiça: "Ele não devia ter feito isso. Ele sabia que ela tinha as três meninas. Quero que ele pague pelo que ele fez".
Testemunha detalha degola, cena do crime e dificuldades na remoção do corpo
11h51 - O investigador Gilson André Cardoso de Alcântara, outra testemunha ouvida, afirmou que o réu tentou limpar o local, mas ainda era possível visualizar claramente manchas de sangue. O ambiente encontrava-se sem móveis, indicando esforço para ocultar evidências. Ao relatar as condições em que o corpo foi localizado, destacou a dificuldade de acesso ao ponto onde a vítima foi abandonada: "Foi arremessada. Bombeiro teve que ir para retirar o corpo. Local de difícil visualização", afirmou.
O depoimento revelou ainda que a vítima apresentava cortes profundos no pescoço, tendo sido degolada, e que uma corrente com cadeado estava presa à região cervical. O corpo exibia diversas escoriações, atribuídas ao arrastamento por 400 metros até a valeta no Parque Florestal.
Irmão da vítima diz que encontrou o corpo em valeta “todo rasgado”
11h20 - Bruno de Oliveira Rabuka, irmão da vítima Bruna de Oliveira, em depoimento por videoconferência, disse que recebeu uma ligação de um conhecido informando que a irmã havia passado a noite com o acusado e que este havia saído e retornado em condições suspeitas. Preocupado, dirigiu-se com o padrasto a quitinete da irmã.
Ao chegar ao local, encontrou a porta escorada, muito sangue, extremamente sujo e sem móveis, indicando que uma mudança apressada havia sido realizada naquela manhã. Sem obter informações de moradores locais, Bruno procurou a delegacia e comunicou os fatos ao delegado plantonista.
Na delegacia, foi orientado a verificar se havia áreas de mata próximas. Acompanhado do padrasto, seguiu até o Parque Florestal, onde, após cerca de 40 minutos de buscas, localizou o corpo da irmã em uma valeta de aproximadamente dois metros de profundidade. O acesso era de difícil alcance, e somente marcas visíveis de sangue permitiram avistar o corpo. "O corpo dela estava todo rasgado", declarou Bruno. Após o trabalho do Instituto Médico Legal, não foi mais autorizada aproximação ao local.
Câmeras de igreja mostraram o réu arrastando o corpo da vítima preso por uma corrente
10h40 - O primeiro depoimento foi do investigador Reuber Mario Sá Gallio, da Polícia Judiciária Civil. Ele detalhou que o crime ocorreu na madrugada do dia 3 de junho de 2024, mas ele só chegou à cena após o atendimento inicial da equipe de plantão. O corpo da vítima foi localizado pelo irmão dela, Bruno de Oliveira, em uma valeta de difícil acesso às margens da mata do Parque Florestal.
De acordo com Gallio, a investigação revelou que o réu teria se desentendido com Bruna por causa da recusa dela em vender um ventilador novo. Conforme relato atribuído ao suspeito durante o inquérito, após a discussão ele estrangulou a vítima e, em seguida, cortou seu pescoço com uma faca. O investigador acrescentou que o casal mantinha relacionamento há aproximadamente dois meses, segundo informações do irmão da vítima. Garrafas de cerveja vazias foram encontradas no local dos fatos.
As imagens de câmeras de segurança de uma igreja foram fundamentais para esclarecer a dinâmica do crime. Elas mostraram o réu arrastando o corpo da vítima preso por uma corrente por cerca de 400 metros em linha reta até abandoná-lo próximo ao Parque Florestal. A motocicleta utilizada no transporte foi identificada por meio da placa após relato de um vizinho em Sinop, que viu o suspeito deixar a residência de um tio na garupa de uma moto com uma mochila, sem retornar posteriormente.
O rastreamento do veículo indicou passagem pelo pedágio de Lucas do Rio Verde, mas não chegada a Nova Mutum. Com apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e análise de inteligência, a equipe descobriu que o suspeito estava escondido em Nova Maringá, onde foi preso na casa de uma prima. Reuber também informou que a vítima possuía registro anterior por posse de drogas, mas não havia indícios de ligação com facções criminosas. O réu trabalhava em uma empresa de venda de mármore, cuja direção confirmou sua ausência no dia do crime.
Começa Tribunal do Júri do feminicida que arrastou corpo da namorada pelas ruas
O Tribunal do Júri da Comarca de Sinop (500 km de Cuiabá) realiza nesta terça-feira (27), a partir das 8h30, o julgamento de Wellington Honorato dos Santos, acusado de homicídio qualificado contra Bruna de Oliveira, de 24 anos, além dos crimes de destruição, subtração e ocultação de cadáver. O caso, ocorrido em 3 de junho de 2024, ganhou notoriedade na região após a vítima ter sido morta em uma discussão relacionada à venda de um ventilador.
A sessão será presidida pelo juiz Walter Tomaz da Costa, titular da 3ª Vara Criminal de Sinop.
Conforme denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), após matar Bruna, o réu arrastou o corpo com correntes acopladas a uma moto até uma área afastada da cidade, onde o abandonou em uma vala. Wellington foi preso no dia seguinte em Nova Maringá e confessou a autoria do crime. Sua defesa é feita pelo advogado João Francisco de Assis Neto.
O julgamento seguirá o rito tradicional do Tribunal do Júri: após a preparação dos sete jurados sorteados, serão ouvidas cinco testemunhas de acusação e uma de defesa, seguidas do interrogatório do réu. Em seguida, ocorrerão os debates orais entre acusação e defesa, com direito a réplica e tréplica. Por fim, os jurados deliberarão em votação secreta sobre materialidade, autoria e condenação, decidindo por maioria simples. Caberá ao juiz-presidente proferir a sentença com base na decisão do Conselho de Sentença.
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