A mulher de 24 anos que denunciou ter sido estuprada dentro da Delegacia de Sorriso, em dezembro do ano passado, também enfrentou a perda de um bebê no mesmo período. Segundo documentos apresentados pela defesa, a jovem sofreu um aborto espontâneo em dezembro de 2025 e foi submetida a curetagem, procedimento cirúrgico para remoção de tecidos fetais.
Atualmente, ela está grávida novamente, com aproximadamente 14 a 15 semanas, e a gestação é classificada como de alto risco. O histórico de perda gestacional recente e as condições de saúde foram determinantes para que a Justiça concedesse liberdade provisória na terça-feira (23).
O advogado Walter Rapuano, durante a audiência de custódia, que a cadeia pública de Sorriso não dispõe de estrutura para atender uma gestante de alto risco. O pedido também citou a necessidade de evitar a revitimização da jovem, que seria reconduzida ao mesmo local onde sofreu os abusos sexuais.
O Ministério Público manifestou-se favoravelmente à soltura. Foi revogada a prisão preventiva e substituiu por medidas cautelares, entre elas o monitoramento eletrônico, recolhimento domiciliar no período noturno e comparecimento aos atos processuais.
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O CASO
A mulher foi presa temporariamente em 8 de dezembro de 2025 sob suspeita de participação no homicídio de Euler Ramon Bastos dos Santos, executado em 2 de dezembro em frente à vidraçaria onde trabalhava. A prisão foi revogada no dia 11 do mesmo mês, após a investigação concluir que o depoimento do motorista de aplicativo que a identificou era falso.
Entre a noite de 9 e a madrugada de 10 de dezembro, enquanto aguardava transferência para a cadeia feminina, ela foi estuprada por quatro vezes dentro da delegacia. O autor, investigador Manoel Batista da Silva, foi preso preventivamente em 1º de fevereiro após exames de DNA confirmarem a compatibilidade genética com material coletado do corpo da vítima. O servidor, lotado na corporação desde 2001, segue à disposição da Justiça.
A jovem responde em liberdade pelos crimes de sequestro, cárcere privado e tortura, enquanto aguarda o andamento do processo.
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