A mulher que foi estuprada quatro vezes dentro da delegacia de Sorriso no final do ano passado foi capturada na manhã desta segunda-feira (22) no Hospital Regional da cidade. A vítima, que também tinha um mandado de prisão em aberto, aguardava atendimento médico para uma crise de pedra nos rins e por estar com uma gravidez de risco.
De acordo com a informações do portal JK Notícias, Policiais militares passavam pelo hospital para buscar dados de pessoas acidentadas quando reconheceram a suspeita. Ao solicitarem seu CPF para checagem de rotina, constataram a existência de um mandado de prisão preventiva ativo em seu desfavor, expedido pela Segunda Vara Criminal de Sorriso.
Os crimes atribuídos a ela são sequestro e cárcere privado e tortura. A mulher, de 24 anos, também é investigada por homicídio qualificado e organização criminosa na execução de Euler Ramon Bastos dos Santos, assassinado a tiros em 2 de dezembro de 2025 em frente à vidraçaria onde trabalhava, no bairro Bela Vista.
Abusos dentro da delegacia
O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que a mulher foi violentada sexualmente enquanto estava sob custódia do Estado. Entre a noite de 9 e a manhã de 10 de dezembro de 2025, ela foi estuprada por quatro vezes dentro da própria delegacia de Sorriso pelo investigador Manoel Batista da Silva.
Conforme apurado pela investigação, o policial retirava a vítima da cela e a levava para uma sala vazia. Em todas as ocasiões, o abusador ameaçou matar a filha menor da mulher caso ela gritasse ou denunciasse o crime.
A vítima havia sido presa temporariamente sob suspeita de participação no homicídio de Euler, mas a prisão foi revogada no dia 11 de dezembro pelo próprio delegado do caso, que reconheceu o erro. A investigação descobriu que o motorista de aplicativo que conduzia o veículo usado no crime havia prestado depoimento falso ao apontar a mulher inocente como a ocupante do carro. A verdadeira suspeita permanecia foragida.
O investigador Manoel Batista da Silva, que atuava na Polícia Judiciária Civil desde 2001 e recebia salário de aproximadamente R$ 22 mil, foi preso em 1º de fevereiro deste ano. A confirmação da autoria veio após exames de DNA — o material genético coletado do corpo da vítima era compatível com o do policial, que testou positivo no confronto pericial.
Prisão no hospital
Diante do quadro de saúde da suspeita e da gravidez de risco, os policiais aguardaram a conclusão do atendimento médico antes de dar voz de prisão. Ela foi conduzida à delegacia acompanhada da mãe e do advogado, sem ter sofrido lesões corporais.
A mulher permanece à disposição da Justiça e deve passar por audiência de custódia nos próximos dias. O comparsa Lucas da Silva de Jesus, vulgo "Biro", apontado como autor dos disparos que mataram Euler, continua foragido.
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