O presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, propôs uma parceria com o Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT) para criar uma formação superior destinada a Cuidadores de Alunos com Deficiência (CAD). A iniciativa busca ampliar o número de profissionais qualificados para atender crianças nas escolas municipais.
A proposta foi apresentada durante o evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado nesta sexta-feira (9). Sérgio Ricardo afirmou que pretende encaminhar um ofício ao IFMT para formalizar o pedido.
Segundo o presidente do TCE-MT, Mato Grosso enfrenta falta de cuidadores nas escolas, e parte dos profissionais que já atuam na área não possui qualificação adequada. Ele também destacou que a formação pode ampliar oportunidades de trabalho, já que prefeituras e o governo estadual contratam esses profissionais.
“Em Mato Grosso, não temos cuidadores em número suficiente, e os profissionais que atuam nessa área nem sempre são devidamente qualificados”, afirmou.
Auditoria aponta dificuldades no atendimento
Durante o evento, Sérgio Ricardo também apresentou dados de uma auditoria operacional realizada pelo TCE-MT, que ouviu 145 famílias para avaliar o atendimento oferecido a crianças com deficiência. O levantamento identificou que 53% das famílias esperaram mais de um ano por tratamento ou ainda não conseguiram atendimento. Apenas 27,6% relataram receber acompanhamento contínuo.
A auditoria também apontou a existência de 1.462 crianças sem diagnóstico concluído em 70 municípios de Mato Grosso. Além disso, 71% dos profissionais ouvidos indicaram a falta de especialistas como o principal obstáculo para ampliar os serviços.
Diante dos dados, o presidente do tribunal defendeu a criação de políticas públicas permanentes e maior integração entre os órgãos públicos para melhorar o atendimento às pessoas com deficiência e neurodivergentes.
TCE-MT cobra levantamento nos municípios
Sérgio Ricardo afirmou que o TCE-MT orientou os prefeitos mato-grossenses a levantar o número de pessoas com deficiência e neurodivergentes em cada município. Segundo ele, a medida busca identificar demandas que ainda não são atendidas pelo poder público.
O presidente também defendeu a atuação conjunta de instituições como o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o Ministério Público, a Assembleia Legislativa e a Defensoria Pública para fortalecer a rede de apoio.
O evento foi promovido pelo TJMT e reuniu profissionais das áreas de educação, saúde e Justiça, além de familiares, estudantes e especialistas. A programação abordou direitos das pessoas com deficiência, inclusão, saúde mental e os impactos do diagnóstico tardio de neurodivergências.
A proposta de formação superior para cuidadores ainda depende de encaminhamento e articulação com o IFMT. Não foram divulgados prazo para implantação, formato do curso ou número de vagas.
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