O juiz André Barbosa Guanaes Simões, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a decisão que leva a júri popular Miro Arcanjelo Gonçalves de Jesus, o “Miro Louco”, Bruno Lima Rocha e Reginaldo Aparecido Moreira pelo homicídio de Murilo Emanoel Silva e Sousa. A nova manifestação, publicada nesta segunda-feira (31), reforça o entendimento já firmado no início de agosto, quando a defesa tentou rediscutir o mérito da pronúncia.
Ao exercer o juízo de retratação, o magistrado rejeitou os recursos em sentido estrito e concluiu que permanecem indícios suficientes de autoria. A decisão se apoia em interceptações telefônicas da Operação Campo Minado, nas contrarrazões do Ministério Público e em provas periciais reunidas ao longo da investigação.
As defesas alegaram cerceamento por falta de acesso integral ao acervo bruto das escutas e questionaram a ausência de perícia vocal, além de apontarem a retratação judicial de uma declaração extrajudicial. O juiz ponderou que o conjunto probatório disponibilizado garantiu o contraditório e destacou que eventuais controvérsias sobre o peso das provas e sobre a manutenção das qualificadoras de motivo torpe e recurso que dificultou a defesa da vítima devem ser apreciadas pelo Conselho de Sentença.
“No estado atual dos autos, não se verifica demonstração de que algum diálogo ou elemento concretamente empregado na fundamentação da pronúncia tenha permanecido inacessível às defesas ou tenha sido apresentado de modo a inviabilizar sua identificação, conhecimento ou impugnação durante a instrução”, destacou.
Considerado um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso, Miro Louco acumula condenações expressivas. Em junho de 2024, recebeu 31 anos de prisão pelo assassinato de Alex de Araújo Sant’Ana, o “Coringa”, executado no bairro Pedra 90 em 2015. A ordem para o crime foi dada após Miro saber que Alex teria se referido ao CV como “facção falida” e “Comando gay”. Coringa foi morto com três tiros ao sair da casa da sogra.
Outra condenação de destaque envolve o homicídio de Alexandre Emanoel de Jesus, também em 2015. De dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE), Miro determinou a execução do jovem por causa de uma dívida de drogas de R$ 200. Rodrigo Spencer Vidal Menezes Butakka, o “Miojo”, cumpriu a ordem e matou Alexandre com diversos disparos no local marcado para o pagamento.
CAMPO MINADO
A Operação Campo Minado foi deflagrada entre 2022 e 2023 pela Polícia Civil de Mato Grosso para desarticular a atuação do Comando Vermelho no estado. A investigação reuniu interceptações telefônicas, quebras de sigilo e diligências que permitiram mapear a cadeia de comando da facção, identificar líderes, monitorar ordens de homicídios e rastrear ações coordenadas de integrantes dentro e fora das unidades prisionais.
O material obtido nas escutas alimentou diversos inquéritos e ações penais, servindo de base para denúncias, prisões e decisões judiciais que enviaram réus ao Tribunal do Júri por homicídios qualificados. As provas reunidas foram consideradas suficientes para sustentar acusações e rebater alegações de cerceamento de defesa, tornando a Campo Minado uma das operações mais relevantes no enfrentamento ao crime organizado em Mato Grosso.
LEIA MAIS: STF nega recurso de Miro Louco em processo sobre morte por dívida de R$ 200
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.










