O candidato à suplente ao Senado e coordenador da campanha do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Mato Grosso, Odílio Balbinotti (PL), afirmou que “a esquerda criou o feminicídio” e que a morte em razão do gênero seria apenas “o homicídio de mulheres”. Conforme Balbinotti, reconhecer o feminicídio como um crime autônomo e não como uma qualificadora do homicídio “não resolve nada”.
As declarações ocorrem em meio a um cenário em que Mato Grosso já registra 32 mortes por feminicídio em 2026, conforme os dados estatísticos oficiais do Observatório Caliandra, órgão do Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT).
“Infelizmente, o nosso Mato Grosso é recordista nacional em morte de mulheres. A esquerda criou o feminicídio, que na realidade é o homicídio de mulheres. Não resolve nada criar um nome. O que nós precisamos realmente é de ação contra esse absurdo”, declarou Balbinotti em vídeo publicado nas suas redes sociais neste sábado (29).
O empresário direcionou críticas ao pagamento do auxílio-reclusão às famílias dos condenados, comparando o benefício com a falta de assistência governamental aos órfãos deixados pelas vítimas de crimes violentos.
“Nós temos no Brasil um absurdo que se chama auxílio-reclusão. Auxílio-reclusão, na realidade, é para a família de quem cometeu o crime. E aquele filho que perdeu a mãe não tem apoio nenhum do Estado. Então você vê que é uma total inversão de valores”.
Como alternativa, o coordenador de campanha do Bolsonaro propôs dois pilares que considera eficazes para o combate à violência contra a mulher. Ele defendeu o aumento da rigidez nas punições contra criminosos e o fomento à emancipação financeira feminina como caminhos essenciais.
“A solução para mim são dois pontos importantes: a primeira, acabar com a impunidade. Bandido é bandido, cometeu o crime, tem que realmente cumprir a sua pena; E a segunda coisa é a mulher ter condição de ser independente financeiramente. A mulher precisa ter cultura, se educar, e conseguir ter o seu ganho, a sua sustentabilidade econômica”.
Balbinotti também correlacionou a dependência econômica à permanência de mulheres em ambientes domésticos violentos, apontando o empoderamento econômico como chave para romper o ciclo de abusos:
“Porque muitas mulheres, às vezes, ficam com esses homens que abusam delas, que batem, e que acabam culminando com um homicídio, porque elas ficam reféns desses homens. Então nós precisamos empoderar essas mulheres e dar condição delas subsistirem e terem o seu caminho independente desses homens”.
MATO GROSSO LIDERA ÍNDICES
Além dos 32 casos registrados até agosto de 2026 pelo Observatório Caliandra do MPMT, os relatórios históricos colocam o estado em posição de destaque negativo no cenário nacional.
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De acordo com o 20º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Mato Grosso registrou no ano anterior uma taxa de 2,7 feminicídios por 100 mil habitantes, tornando-se o terceiro estado com a maior taxa de homicídios motivados por gênero no país, ficando atrás apenas do Acre (3,2) e de Rondônia (2,9).
Em 2025, o estado teve 53 mortes consumadas sob essa tipificação no período. Adicionalmente, as tentativas de feminicídio em Mato Grosso cresceram 38,7% de um ano para o outro, subindo de 171 para 241 ocorrências, o que gerou uma taxa de tentativas de 12,5 por 100 mil habitantes, índice significativamente superior à média nacional de 3,8.
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