"O próximo presidente de vocês vai dizer: 'Que ótimo trabalho eu fiz'", afirmou Trump neste mês, em evento em Long Island, Nova York. "Ele vai estar sentado por aí, assistindo televisão. Um verdadeiro paspalho. A menos que vocês votem nos republicanos, é claro."
A mudança de tom ocorre a nove semanas das eleições de meio de mandato, momento em que presidentes em segundo mandato normalmente começam a enfrentar sinais crescentes de perda de influência. Desde que voltou à Casa Branca, porém, Trump deixou aberta a possibilidade de buscar um terceiro mandato, apesar de reconhecer que a Constituição impede uma nova eleição.
"Ele vai para todos os lados", disse Brian Kalt, professor de Direito Constitucional da Universidade Estadual de Michigan. Segundo ele, as declarações contraditórias permitem que Trump, no futuro, sustente tanto que nunca pretendeu concorrer quanto que nunca descartou a hipótese.
A Casa Branca rejeita a interpretação de que o presidente esteja cada vez mais concentrado no fim do mandato e em seu legado. A porta-voz Olivia Wales afirmou que Trump "luta todos os dias" para cumprir promessas de reduzir crimes violentos, reforçar a fronteira com o México e baixar preços de medicamentos. "O único legado com o qual o presidente Trump está preocupado é tornar os Estados Unidos maiores do que nunca", disse.
Ainda assim, Trump passou a mencionar com frequência como imagina o período posterior à Presidência. Em comício na Pensilvânia, afirmou que estará em casa enquanto o próximo presidente se atribui o mérito por realizações de sua gestão. Uma semana depois, na Geórgia, disse que poderá estar "chorando" ao assistir de casa a um eventual governo democrata.
Em Michigan, porém, voltou a introduzir dúvida. "Daqui a dois anos e meio, vocês podem ter um presidente diferente - podem", afirmou, enfatizando a última palavra. Depois acrescentou: "Estarei sentado em casa. Estarei lendo os jornais. Estarei assistindo televisão."
Ao mesmo tempo, Trump continua a insinuar uma candidatura em 2028. No jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca, no mês passado, brincou que "a terceira vez será ainda melhor", antes de dizer que estava "só brincando", e encerrou o discurso usando um boné de campanha de 2028.
A 22ª Emenda da Constituição determina que ninguém pode ser eleito presidente mais de duas vezes. Ratificada em 1951, a regra surgiu após Franklin Roosevelt vencer quatro eleições presidenciais. Nenhum outro presidente havia rompido a tradição, iniciada por George Washington, de deixar o cargo após dois mandatos.
Trump já afirmou à NBC News que existem "métodos" para buscar um terceiro mandato. Uma das hipóteses mencionadas seria concorrer como vice na chapa do atual vice-presidente, JD Vance, em 2028, e assumir posteriormente caso Vance deixasse o cargo. À revista Time, Trump também disse haver "algumas brechas", embora tenha afirmado não acreditar que deveriam ser usadas. Mais recentemente, no entanto, reconheceu a jornalistas: "Eu adoraria concorrer, mas a lei é muito clara."
Para Kalt, as declarações de Trump permitem interpretações opostas. "As pessoas realmente tendem a encontrar, nas palavras de Trump, aquilo que querem ouvir", afirmou.
A discussão também ocorre em meio a sinais de que Trump pensa em como sua passagem pela Casa Branca será lembrada. Segundo Paul Begala, ex-assessor do presidente Bill Clinton, presidentes em segundo mandato costumam começar a se preocupar mais com o legado ao ultrapassar a metade do período no cargo.
Trump tem investido em mudanças físicas na Casa Branca e em Washington, retomando a imagem de incorporador imobiliário que marcou sua carreira em Nova York. Entre os projetos estão um arco próximo ao Memorial Lincoln, restauração de fontes, alterações no Jardim das Rosas, um heliponto e um grande salão de festas.
O salão deve ficar pronto apenas no fim de 2028. "Não é para mim, porque vou ficar aqui por um período muito curto" quando a obra for concluída, disse Trump recentemente no Salão Oval. "Vou estar aqui por quatro, cinco, seis meses. Isso é para futuros presidentes."
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação da Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado).
(Com Agência Estado)
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