A Justiça Eleitoral de Mato Grosso vai disponibilizar 15 ônibus para o transporte de eleitores indígenas em Campinápolis (504 km de Cuiabá), nas eleições gerais de 2026. As rotas foram definidas com a participação de representantes do povo Xavante, que indicaram as necessidades de deslocamento dentro das reservas.
Campinápolis tem cerca de 180 aldeias Xavante, distribuídas pelas reservas Parabubure e Chão Preto, que juntas ocupam aproximadamente 237 mil hectares. Mais de 30% do eleitorado do município é indígena.
Há seis locais de votação nas maiores aldeias da região. A extensão territorial e a quantidade de eleitores tornam o transporte uma das principais dificuldades para o acesso às urnas.
Em eleições anteriores, parte dos deslocamentos era feita em veículos abertos. Para 2026, a Justiça Eleitoral buscou substituir esse modelo por ônibus.
A definição das rotas ocorreu em reuniões com representantes indígenas, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Secretaria de Assuntos Indígenas de Campinápolis.
"O assunto tratado foi, principalmente, o transporte para deslocamento dos eleitores indígenas da zona rural, que sempre enfrentam dificuldade na época de votação. Agora, essa parceria vai fazer muita diferença para os eleitores da nossa região de Campinápolis. É gratificante para o povo Xavante", disse Cleciani Pedata Tserihite, chefe da Unidade Técnica Local da Funai em Nova Xavantina.
Segundo a juíza Tabatha Tosetto, da 26ª Zona Eleitoral, a participação dos indígenas permitiu que o planejamento levasse em conta as condições de deslocamento dentro das reservas.
"Além de proporcionar mais segurança e conforto, a iniciativa foi planejada a partir da escuta dos próprios representantes das comunidades indígenas, que contribuíram diretamente para a definição das rotas", afirmou.
Dos 15 ônibus, dez serão cedidos pela Prefeitura de Campinápolis, quatro pela Prefeitura de Nova Xavantina e um pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Nova Xavantina.
A articulação também envolveu o promotor eleitoral João Ribeiro da Mota e a Funai.
A presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), desembargadora Serly Marcondes Alves, afirmou que a participação das comunidades indígenas é necessária para adequar o transporte à realidade de cada região.
"Mais do que uma questão logística, trata-se de um compromisso inegociável com a inclusão e a acessibilidade", disse.
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