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Justiça Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026, 21:34 - A | A

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Quarta-feira, 21 de Outubro de 2026, 21h:34 - A | A

ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA

Gaeco apura ‘mensalinho’ de R$ 10 mil e oferta de R$ 100 mil por voto em VG

Em depoimento, vereador Caio Cordeiro afirma que Wanderley Cerqueira teria oferecido dinheiro para garantir apoio à reeleição e evitar demissões em seu gabinete

CAMILA RIBEIRO
DA REDAÇÃO

Reprodução/Câmara VG

Wanderley Cerqueira

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apura suspeitas de compra de votos, pagamento de 'mensalinho' e loteamento de cargos na Câmara de Várzea Grande. O depoimento do vereador Caio Cordeiro (Novo) aponta que o presidente da Câmara, Wanderley Cerqueira (MDB), ofereceu R$ 100 mil para garantir apoio à sua reeleição e não demitir servidores do gabinete do vereador. O dinheiro estava em uma sacola no gabinete do presidente. 

Segundo consta no depoimento de Caio, o 'mensalinho' de Wanderley era de R$ 10 mil. O recurso seria, supostamente, custeado por uma concessionária de transporte, além de uma oferta de R$ 100 mil para votar pela recondução de Wanderley.

Conforme o vereador, o dinheiro destinado ao 'mensalinho' chegava a R$ 200 mil. O vereador, porém, ressaltou não ter elementos para afirmar quais vereadores aceitaram a proposta. 

Caio afirmou que o dinheiro estava em uma sacola no escritório de Wanderley na residência da sua mãe em VG. O endereço também foi um dos alvos do Gaeco no cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta terça-feira (20) quando a operação Cathedra Venalis foi deflagrada. 

O depoimento também menciona o almoço promovido por Wanderley a vereadores em uma chácara às vésperas da votação da mesa. De acordo com Caio, Wanderley contava com 14 votos. Todos os aliados participaram da confraternização. 

Caio relatou dificuldades para avançar com as fiscalizações envolvendo a empresa União Transporte e Turismo Ltda. e afirmou possuir gravações de conversas nas quais foi sugerida a retirada da CPI em troca de vantagem financeira.

Segundo Caio, ao insistir na investigação, houve uma tentativa de encaminhá-lo à Comissão de Ética para a cassação de seu mandato.

PROPINA DE R$ 500 MIL

Caio afirmou que Wanderley sondava a privatização do Departamento de Água e Esgoto de Várzea Grande (DAE-VG). Segundo o relato, o presidente teria mencionado a possibilidade de distribuir aproximadamente R$ 500 mil a cada vereador caso a operação fosse concretizada.

O ex-vice-prefeito Tião da Zaeli (PL) teria solicitado apoio à reeleição de Wanderley e mencionado a possibilidade de cassação da prefeita Flávia Moretti (PL). As declarações fazem parte dos elementos reunidos pelo Gaeco na Operação Cathedra Venalis.

 

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