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Justiça Terça-feira, 21 de Julho de 2026, 09:18 - A | A

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Terça-feira, 21 de Julho de 2026, 09h:18 - A | A

ÀS VÉSPERAS DO JÚRI

Defesa de Carlinhos Bezerra acusa MP de usar "tragédia" para inflamar comoção social

Defesa alegou que teve o acesso às provas restringido, falou em "excessos acusatórios" e cobrou exame de insanidade

RAYNNA NICOLAS E BIANCA MORTELARO
Da Redação/Do Local

Reprodução/HNT

JULGAMENTO CARLINHOS ADV ELSON

O advogado Elson Marcelino, que atua na defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, acusou o Ministério Público de cometer "excessos" no processo que discorre sobre a morte Thays Machado e Willian Cesar Moreno. O casal foi assassinado por Carlinhos Bezerra em janeiro de 2023, no bairro Consil, em Cuiabá. Thays era ex-companheira do empresário. Para a defesa, o MP conduziu o processo para favorecer o apelo à comoção social. 

"Este processo foi calçado numa inferência da melhor explicação. O Ministério Público utilizou de todo aparato estatal para fomentar a comoção social. É uma tragédia, isso é inegável, só que as questões como são trazidas a público não condizem com a realidade", disse. 

As declarações foram dadas no Fórum de Cuiabá, nesta terça-feira (21), às vésperas do início do júri popular de Bezerra. Elson Marcelino também alegou que a defesa não teve tempo hábil para analisar o vasto material probatório acostado no processo. 

"Fomos surpreendidos com um caixa organizadora com 109 gigas de documento. Nós tivemos sete dias para analisar 109 gigas, fora o material que ainda não foi apresentado para a defesa, que são cadernos, anotações que o Ministério Público fez recortes", emendou. 

Segundo o advogado, os recortes feitos pela acusação tiram de contexto os fatos que antecederam os homicídios. A defesa tenta desconstruir a narrativa de que houve perseguição e premetidação do crime.

LEIA MAIS: Justiça retira sigilo de ação contra Carlos Alberto Gomes Bezerra e remarca júri para 21 de julho

Elson citou reforçou ainda o pedido para que Carlinhos Bezerra seja submetido ao exame de insanidade mental. Segundo o advogado, dado os indícios psiquiátricos do réu, a concessão da perícia é necessária para garantia dos direitos fundamentais do empresário. 

"O prejuízo maior é da sociedade. Porque pense se um caso de comoção recai no familiar teu, o julgamento vai ser esse mesmo, dessa mesma forma, é cerceado o direito de defesa. Isso que não pode acontecer", afirmou o advogado. 

"Por que a gente não submete, então, o Carlos Bezerra à insanidade mental e demonstra que ele não tem insanidade? Qual é o medo que a acusação tem disso? Qual é o medo que a acusação tem de entregar para a gente, com o tempo hábil, acesso ao processo? Qual é o medo que a acusação tem de que a defesa tenha acesso a toda a árvore processual?", finalizou.

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