Antônio Gomes da Silva, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusados de matar o advogado Roberto Zampieri em dezembro de 2023, em Cuiabá, enfrentarão o Júri Popular na próxima terça-feira (28). A data foi confirmada pelo juiz José Mauro Nagib Jorge, presidente do Tribunal do Júri, que também determinou o levantamento do sigilo do processo, que já ultrapassa 10 mil páginas.
O pedreiro Antônio Gomes da Silva confessou ter executado Zampieri com vários tiros quando o advogado deixava seu escritório, no bairro Bosque da Saúde. Pelo crime, ele teria recebido a promessa de pagamento de R$ 40 mil.
O segundo réu é o instrutor de tiro Hedilerson Fialho Martins Barbosa, acusado de emprestar a pistola 9 mm usada no assassinato e de auxiliar Antônio na execução.
Já o coronel do Exército Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas teria “financiado” o homicídio, mesmo residindo em Minas Gerais, pagando o valor combinado ao executor. Ele também é apontado como integrante do grupo miliciano Comando C4, sigla para Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos, e foi colega do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Academia Militar de Agulhas Negras (Aman).
Segundo as denúncias, a motivação do crime foi uma disputa agrária milionária envolvendo uma fazenda em Paranatinga (380 km de Cuiabá). O fazendeiro Aníbal Manoel Laurindo, cuja família ocupava a área havia mais de 20 anos, seria o interessado direto no conflito.
Após a morte de Zampieri, as investigações revelaram um suposto esquema de venda de sentenças, que já levou ao afastamento de três desembargadores de Mato Grosso e à prisão do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. Os desdobramentos da Operação Sisamnes, da Polícia Federal, agora apuram se o esquema alcança tribunais de outros estados e servidores do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
CASO RENATO NERY
Outro assassinato de advogado também foi julgado pelo Tribunal do Júri em Cuiabá neste mês. Alex Roberto de Queiroz Silva foi condenado a 33 anos e 8 meses de reclusão pela morte de Renato Nery. Ele confessou ter efetuado os disparos, embora tenha tentado isentar os outros cinco réus do processo, alegando ter agido por iniciativa própria.
Assim como no caso de Zampieri, o homicídio de Nery teria sido motivado por uma disputa de terras — uma área de 12 mil hectares em Novo São Joaquim (448 km da capital), avaliada em R$ 40 milhões.
De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), os mandantes são o casal Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi, após sucessivas derrotas processuais. Eles e outros três policiais militares ainda serão julgados pelo Conselho de Sentença.
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