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Justiça Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 08:33 - A | A

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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 08h:33 - A | A

"POR INICIATIVA PRÓPRIA"

Júri condena assassino de Renato Nery a 33 anos e 8 meses de prisão

Após 12 horas de julgamento, Alex Roberto de Queiroz Silva recebe sentença por homicídio triplamente qualificado, organização criminosa e fraude processual; juiz também fixa indenização à família da vítima

BIANCA MORTELARO
Da redação

O Tribunal do Júri de Cuiabá condenou, na noite desta quarta-feira (15), o réu confesso Alex Roberto de Queiroz Silva a 33 anos e 8 meses de reclusão em regime fechado pelo assassinato do advogado Renato Gomes Nery. Após cerca de 12 horas de julgamento, o Conselho de Sentença reconheceu o acusado como autor de homicídio triplamente qualificado, com as qualificadoras de perigo comum, dificuldade de defesa e vítima com idade avançada, além dos crimes de integrar organização criminosa e fraude processual. A sentença, proferida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, também estabeleceu o pagamento de uma indenização de 40 salários mínimos aos familiares da vítima.

Durante o depoimento em plenário, Alex Roberto confirmou ter efetuado os sete disparos contra o advogado, mas apresentou uma versão que buscou isentar os outros cinco réus do processo. O condenado afirmou ter agido por "iniciativa própria" e "às escondidas" dos supostos mandantes após ouvir, em um churrasco com o policial militar Heron Teixeira, que havia uma oferta de R$ 200 mil pela morte de Renato Nery.

LEIA MAIS: Réu confesso diz que recebeu R$ 100 mil para matar Renato Nery por dívidas com agiotas

Alex alegou que aceitou o "serviço" devido a pressões de agiotas que estariam ameaçando sua família, tendo recebido aproximadamente R$ 100 mil pela execução do crime. Ele negou que a arma, uma pistola adaptada para disparos em rajada, tivesse sido fornecida pelos policiais militares citados no caso, sustentando que a alugou de um terceiro em um bairro vizinho.

Entretanto, revelações trazidas por testemunhas durante o júri confrontaram partes do relato do réu. O delegado Bruno Abreu, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), afirmou que Alex monitorou a rotina da vítima dias antes do crime e que, após a execução, ele teria se vangloriado do sucesso do atentado durante um churrasco na casa do PM Heron Teixeira. Lívia Nery, filha do advogado, também prestou depoimento descrevendo o trauma de ter visto o pai "urrando de dor" no local do crime e o persistente sentimento de insegurança da família.

RELEMBRE O CASO

O crime ocorreu em 5 de julho de 2024, quando Renato Gomes Nery, de 72 anos e ex-presidente da seccional de Mato Grosso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), foi emboscado ao chegar em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. Ele faleceu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

Segundo as investigações da Polícia Civil e a denúncia do Ministério Público, o homicídio foi motivado por uma disputa judicial por uma área de mais de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim, avaliada em mais de R$ 40 milhões. A acusação aponta que o casal de empresários Julinere Goulart Bastos e César Jorge Sechi encomendou a morte do advogado após sofrer derrotas processuais.

A estrutura criminosa contaria ainda com três policiais militares, Jackson Pereira Barbosa, Ícaro Nathan Santos Ferreira e Heron Teixeira Pena Vieira, que teriam atuado na logística, intermediação financeira e fornecimento da arma.

Enquanto Alex cumpre sua pena, os demais envolvidos permanecem presos preventivamente aguardando seus respectivos julgamentos.

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