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Justiça Quarta-feira, 15 de Julho de 2026, 16:21 - A | A

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Quarta-feira, 15 de Julho de 2026, 16h:21 - A | A

EXECUTOU SEM CONTRATO

Réu confesso diz que recebeu R$ 100 mil para matar Renato Nery por dívidas com agiotas

Em depoimento no Tribunal do Júri de Cuiabá, Alex Roberto de Queiroz Silva tenta livrar policiais e empresários da cena do crime; réu afirma ter planejado emboscada sozinho após ouvir conversa informal em churrasco

BIANCA MORTELARO
Da redação

O réu confesso, Alex Roberto de Queiroz Silva, acusado de matar o advogado Renato Gomes Nery, prestou depoimento nesta quarta-feira (15) perante o Tribunal do Júri de Cuiabá, onde detalhou a dinâmica do assassinato do advogado Renato Gomes Nery e negou uma articulação prévia com os outros envolvidos. Durante a sessão no Fórum da Capital, Alex afirmou que a motivação para o crime foi financeira, decorrente de dívidas com agiotas que estariam ameaçando sua família.

“Na realidade não foi bem uma coisa contratada entendeu igual tão falando, eu já sou réu confesso entendeu, eu não teria porque mentir isso. Eu estava endividado, muito endividado estava sofrendo pressão de agiotas, tanto estava até ameaçando minha família e eu estava no churrasco com o Heron, estava só eu e ele não tinha o Caster nem ninguém e aí ele comentou sobre isso e falou para mim o nome do advogado”.

LEIA MAIS: Júri de Cuiabá julga acusado de executar advogado Renato Nery nesta quarta

O acusado explicou que, após ter acesso ao nome de Renato Nery, tomou a iniciativa de realizar o levantamento sobre a rotina da vítima por conta própria, utilizando o celular para localizar o advogado. Ele afirmou ter executado o crime apenas dois dias após ouvir o comentário.

“Que estavam querendo matar esse advogado e estavam querendo contratar ele, alguma coisa parecida, eu peguei e eu vi, entendeu e pesquisei no celular o nome do advogado que ele falou o nome do advogado e aí e depois de dois dias eu peguei fui lá e atirei nele”.

Questionado sobre a ciência dos intermediários e os valores envolvidos, Alex afirmou que o policial militar Heron Teixeira Pena Vieira, apontado nas investigações como seu recrutador, não sabia que ele anteciparia a ação.

“Quando ele falou que queriam contratar ele, ele não estava sabendo que eu fiz isso aí queriam contratar ele, na realidade o valor era 200 mil reais”, declarou o réu.

Sobre a arma utilizada no atentado, o acusado negou que o material bélico tenha vindo dos outros envolvidos no processo, além de refutar o delegado Bruno Abreu, responsável pelo caso no DHPP, que citou a compra da arma.

“Eu aluguei essa arma por 1.500 reais depois eu devolvi ela para o dono em momento nenhum eu falei que eu quero o dono era um guri do bairro vizinho lá que ele era integrante do comando vermelho alguma coisa assim”.

Alex também relatou que o valor total oferecido para quem aceitasse o "serviço" era de R$ 200 mil, mas confirmou ter recebido apenas cerca de R$ 100 mil pela execução. Ele reiterou que os supostos intermediários não sabiam que ele já havia cumprido a tarefa no momento em que os disparos foram efetuados.

“Quando ele falou que queriam contratar ele, ele não estava sabendo que eu fiz isso aí queriam contratar ele, na realidade o valor era 200 mil reais”, disse.

RELEMBRE O CASO

O crime ocorreu em 5 de julho de 2024, quando Renato Gomes Nery, de 72 anos e ex-presidente da OAB-MT, foi atingido por sete disparos ao chegar em seu escritório na Avenida Fernando Corrêa da Costa, em Cuiabá. A vítima faleceu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

De acordo com a denúncia do Ministério Público, o homicídio foi motivado por uma disputa judicial bilionária por uma área de mais de 12 mil hectares no município de Novo São Joaquim. A acusação sustenta que o crime foi planejado por uma organização composta por empresários, que atuaram como mandantes, e policiais militares, que teriam feito a intermediação e logística da execução. Além de Alex, que é o primeiro dos seis denunciados a ir a julgamento, outros três PMs e um casal de empresários respondem pelo crime e permanecem presos.

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