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Justiça Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 20:30 - A | A

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Terça-feira, 14 de Julho de 2026, 20h:30 - A | A

CASO LUCAS VELOSO

Ex-capitão dos Bombeiros perde definitivamente a patente por morte de aluno em treinamento

TJMT nega último recurso e confirma decisão que declarou Daniel Alves indigno para o oficialato após afogamento de Lucas Veloso na Lagoa Trevisan

GABRIEL BARBOSA
Da Redação

O ex-capitão do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso Daniel Alves de Moura e Silva perdeu definitivamente o posto e a patente. A decisão foi confirmada nesta terça-feira (14) pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que negou o último recurso da defesa. Daniel foi considerado culpado pela morte do aluno-soldado Lucas Veloso Peres, de 28 anos, que se afogou durante um treinamento na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, em fevereiro de 2024.

O TJMT rejeitou o recurso que tentava levar o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo a Justiça, esse tipo de processo, que apura se um oficial militar age com indignidade, tem natureza administrativa e não cabe recurso à instância máxima do país. Com isso, a perda da patente, decidida em março deste ano, se tornou irreversível.

LEIA MAIS: Justiça mantém perda de patente de ex-capitão por negligência em treinamento que matou aluno

A defesa do ex-capitão ainda tentou, em maio, suspender a decisão enquanto o recurso não fosse analisado, mas o pedido também foi negado. Na ocasião, a desembargadora Nilza Maria Pôssas de Carvalho entendeu que não havia risco de dano grave ou urgência que justificasse a suspensão.

Durante um treinamento aquático na Lagoa Trevisan, em Cuiabá, o então capitão Daniel Alves ordenou que os alunos atravessassem o lago a nado. O soldado Lucas Veloso Peres, que usava um colete flutuante (life belt), começou a sentir cansaço após nadar cerca de 100 metros e segurou no equipamento para descansar.

Mesmo vendo a dificuldade do aluno, o instrutor mandou que ele soltasse o flutuador e continuasse. Ele também ordenou que um monitor retirasse o equipamento e aplicasse "caldos" (golpes) no aluno para que ele não parasse. Lucas, em desespero, pediu socorro, mas acabou submergindo. Quando foi encontrado, já estava inconsciente e não resistiu.

A Turma de Câmaras Criminais Reunidas do TJMT, por unanimidade, entendeu que Daniel Alves agiu com imprudência e negligência. O tribunal destacou que ele falhou no dever de proteger o aluno e que sua conduta foi incompatível com a função de oficial. Por isso, foi declarado "indigno" para o oficialato.

O Corpo de Bombeiros e o Governo do Estado já foram comunicados para cumprir a decisão. Daniel Alves ainda responde a um processo criminal pelos mesmos fatos, mas isso não interfere na perda da patente, já que as esferas administrativa e penal são independentes.

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