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Política Quarta-feira, 08 de Julho de 2026, 15:30 - A | A

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Quarta-feira, 08 de Julho de 2026, 15h:30 - A | A

IMPASSE INTERNO

Júlio Campos confirma racha no União Brasil e prevê debandada para Pivetta

Em meio ao embate entre Jayme Campos e Mauro Mendes pelo Governo do Estado, parlamentar revela que PP aceita candidatura própria e garante liberdade para Mendes apoiar Pivetta

BIANCA MORTELARO
Da redação

O deputado estadual Júlio Campos confirmou a existência de um racha interno no União Brasil (UB) em Mato Grosso, após meses de embates públicos entre a ala liderada por ele e seu irmão, o senador Jayme Campos, e o grupo do presidente estadual da sigla, o ex-governador Mauro Mendes. O impasse é devido a definição da candidatura ao Governo do Estado: enquanto os irmãos Campos defendem o protagonismo do partido com uma candidatura própria de Jayme, Mendes e sua cúpula priorizam o apoio à reeleição do governador Otaviano Pivetta (Republicanos).

Antes de qualquer definição final, Júlio destacou que o rito processual exige a concordância da federação partidária que o União Brasil mantém com o Partido Progressista (PP). Segundo o parlamentar, o resultado da convenção interna não é isolado e precisa ser submetido aos aliados federados.

“Antes de chegar no racha do União Brasil, nós temos que submeter à apreciação do resultado da convenção da União Brasil ao Partido Progressista, que é nosso federado junto”, disparou Júlio, em coletiva nesta quarta-feira (8).

LEIA MAIS: Mauro Mendes avisa que Jayme terá que vencer delegados do UB e do PP

O deputado revelou ainda que já realizou sondagens com a liderança dos progressistas para avaliar a viabilidade de um nome próprio do partido na disputa majoritária e que o PP sinalizou que não criaria obstáculos, caso Jayme Campos seja o escolhido pelos delegados.

“E ontem, conversando com os grandes líderes do PP e o próprio presidente Nilson Leitão, foi confirmado que, caso a União Brasil defenda a candidatura própria, não terá nenhuma contestação por parte do Pogressistas. Não teria nenhuma dificuldade dos progressistas também aceitarem esse resultado”, explicou.

Diante da falta de unidade, Júlio Campos admitiu que o partido poderá adotar uma postura de liberação para os filiados que não desejarem seguir a candidatura de Jayme. Ele contextualizou que a dissidência é um fenômeno presente em diversas legendas no atual cenário político, como o Partido Liberal.

“Já há um pré-entendimento que, caso esse grupo de possíveis dissidentes da candidatura própria do Jayme Campos queira apoiar o nosso candidato republicano, o Otaviano Pivetta, não haveria nenhum problema. Será liberado. Todos os partidos não vão conseguir consenso geral”.

Especificamente sobre a figura de Mauro Mendes, que preside a sigla e é pré-candidato ao Senado, Júlio afirmou que já existe um consenso para que ele mantenha seu compromisso pessoal com o atual governador, independentemente da decisão da convenção.

“O próprio ex-governador Mauro Mendes, que é o nosso pré candidato ao Senado, já está assegurado a ele a liberdade para ele apoiar o candidato, o seu amigo republicano”, concluiu.

A “QUEDA DE BRAÇO”

O clima de instabilidade no União Brasil tem se intensificado à medida que se aproxima a convenção estadual, marcada para o dia 4 de agosto. Jayme Campos tem subido o tom contra Mauro Mendes, afirmando que "o partido não tem dono" e criticando o que considera uma tentativa de "imposição" de um candidato externo, em vez de valorizar os quadros da própria sigla. O senador chegou a recusar propostas de Mendes para disputar novamente o Senado ou compor como vice de Pivetta, insistindo que sua única pretensão é a chefia do Executivo.

Por outro lado, Mauro Mendes argumenta que a decisão final cabe aos 50 delegados do partido e que Jayme precisará vencer tanto na convenção do UB quanto na do PP para viabilizar seu projeto. O governador tem minimizado as ameaças de Júlio Campos, que chegou a afirmar possuir o apoio da maioria do diretório para barrar a candidatura de Mendes ao Senado caso Jayme fosse preterido, classificando tais declarações como "bobagem".

O cenário aponta para uma convenção marcada por disputas intensas, com Jayme já tendo alertado que "com ferro fere, com ferro será ferido" caso seja alvo de ataques internos.

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