A juíza Helícia Vitti Lourenço, da 12ª Vara Criminal de Cuiabá recebeu, nesta terça-feira (7), denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) contra 17 acusados, entre eles 16 policiais militares e um vigilante, apontados como responsáveis pela execução de três homens em uma emboscada na região do Rodoanel, em outubro de 2017. Entre os denunciados estão Jackson Pereira Barbosa e Heron Teixeira Pena Vieira, envolvidos no assassinato do advogado Renato Nery, em julho de 2024.
Segundo o MPMT, os acusados teriam atraído as vítimas Mayson Ricardo de Moraes Dihl, Fabrício Soares Ferreira e Deberson Pereira de Oliveira para uma falsa proposta de roubo, organizada pelo vigilante Ruiter Candido da Silva, que teria atuado em conjunto com policiais da Rotam.
“O denunciando Ruiter Candido da Silva trabalhava no estabelecimento denominado “Supermercado Teixeira”, localizado no Bairro Jardim Vitória, nesta Capital, onde exercia a função de vigilante. Conforme previamente avençado com Policiais que integravam o Batalhão Especializado Rotam, às vésperas dos fatos o denunciando [...] passou a cooptar vítimas interessadas na prática de crime patrimonial, transmitindo confiança para as vítimas”, destacou a magistrada.
As vítimas foram levadas até o local conhecido como Mangueiral, na região do Rodoanel, onde foram rendidas, torturadas e executadas com disparos de arma de fogo. Laudos periciais apontam sinais de agressões, lesões de defesa e disparos feitos à curta distância.
O Ministério Público afirma que o grupo agiu como um “grupo de extermínio”, com divisão de tarefas e planejamento prévio, utilizando recurso que impossibilitou a defesa das vítimas. A motivação, segundo a acusação, seria a busca por prestígio dentro da corporação e, no caso de Ruiter, vantagem econômica. A denúncia também aponta tentativa de fraude processual, como o envio de apenas parte das armas para perícia e a simulação de socorro às vítimas.
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“O êxito da empreitada criminosa, cujos autores na quase totalidade são agentes que integram o braço armado do Estado, só foi possível em virtude do efetivo empenho de cada um dos denunciandos supracitados, organizados e imbuídos do mesmo propósito homicida, os quais, isoladamente, jamais teriam alcançado o resultado como ocorreu. Os crimes foram praticados por motivo torpe, já que os denunciandos, agiram no afã de projetarem suas imagens como de Policiais que eliminam a vida de malfeitores com coragem e destemor, na busca por elogios e promoções na carreira policial”, finalizou.
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