O Ministério Público de Mato Grosso classificou como uma "aberração" a renúncia dos advogados de defesa do empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, minutos antes do início do Tribunal do Júri, nesta terça-feira (21), em Cuiabá. A saída do plenário levou ao adiamento do julgamento para o próximo dia 31 de julho. Carlinhos é acusado de matar a tiros a ex-companheira Thays Machado e o namorado dela, William Moreno, em janeiro de 2023.
Após a sessão, os promotores Vinícius Gahyva e Élide Manzini afirmaram que a renúncia da defesa teve caráter protelatório e buscou impedir a realização do júri. Os advogados alegaram nulidades processuais e sustentaram que documentos foram juntados às vésperas do julgamento, comprometendo o exercício da ampla defesa.
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Gahyva afirmou que o abandono do plenário tem se tornado uma estratégia recorrente em casos de grande repercussão e criticou a prática.
"Lamentamos muito que esse tipo de estratégia esteja sendo adotada. Não é o primeiro abandono de plenário, não é a primeira redesignação. O objetivo, claro, é postergar o julgamento e, eventualmente, ter acesso a um conselho de sentença que possa ser mais favorável", afirmou.
O promotor também rebateu os argumentos apresentados pela defesa para justificar a renúncia e disse que as alegações já haviam sido apreciadas pelo Judiciário.
"Não haveria razão para a redesignação do julgamento, não fosse o interesse de retardá-lo por mais algum tempo", declarou.
Já a promotora Élide Manzini classificou a medida como "um absurdo, uma aberração" e afirmou que as nulidades alegadas pela defesa "não existem" e já foram afastadas pela Justiça.
Nesta terça-feira, a Defensoria Pública foi intimada para assumir a defesa caso seja necessário, o que, para Élide Manzini, deve impedir um novo adiamento do júri. "Eles podem tentar, mas essa prorrogação não será válida", concluiu a promotora.
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