A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPEMT) anunciou a criação de um guia para orientar veículos de comunicação na cobertura de casos de violência contra a mulher. A iniciativa foi apresentada nesta segunda-feira (31), durante o 2º Encontro com a Imprensa, realizado em Cuiabá, e tem como objetivo estabelecer parâmetros de comunicação responsável em pautas sensíveis como feminicídio, agressões e crimes sexuais.
A diretora de imprensa da instituição, Érika Oliveira Gonçalves, afirmou que o material será construído de forma colaborativa com jornalistas. “Casos como feminicídio, crimes sexuais e agressões são muito delicados e merecem uma maior atenção dos jornalistas”, disse. Segundo ela, o guia reunirá sugestões para evitar abordagens que revitimizem mulheres.
O encontro reuniu a jornalista investigativa Schirlei Alves, conhecida pela atuação no caso Mari Ferrer, a juíza e professora Amini Haddad e a defensora pública Rosana Leite, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher. As palestrantes discutiram práticas que evitem exposição excessiva das vítimas e reforcem a necessidade de atualização constante sobre legislação e debates sociais. “Devemos estar atualizados para que a matéria não seja escrita de forma automática e que repita práticas que não são mais adequadas”, afirmou Schirlei.
A defensora pública-geral, Luziane Castro, destacou que o diálogo com a imprensa é fundamental para o enfrentamento à violência de gênero. “A comunicação responsável com relação à violência contra a mulher é uma preocupação real da Defensoria Pública”, disse.
O encontro integra a campanha Seja a Voz que Acolhe, lançada pela instituição para incentivar familiares, vizinhos e colegas a reconhecer sinais de violência e apoiar mulheres em situação de risco. No site da Defensoria, o público pode acessar o Painel da Violência e o Painel de Defesa das Mulheres, com dados e serviços voltados ao atendimento de vítimas.
Rosana Leite afirmou que a cartilha será essencial para qualificar a cobertura jornalística. “Ela irá contribuir na produção de matérias que busquem colocar em pauta os direitos humanos e a dignidade das pessoas que sofrem com a violência de gênero”, disse.
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