"A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio Governo Federal, que teve como objetivo combinar a expansão da eletromobilidade no Brasil com a atração de investimentos produtivos de longo prazo para o país", escreveu a Anfavea na nota em que lamento a decisão da Camex.
Ao prolongar benefícios que haviam sido criados como temporários, emenda a Anfavea, o governo coloca em xeque a confiança de empresas que ajustaram seus planos de investimentos contando com as regras pactuadas.
A decisão, conforme a Anfavea, contraria a sinalização que orientou R$ 140 bilhões em investimentos anunciados sob as regras vigentes e gera insegurança para empresas que estruturaram projetos considerando o cronograma estabelecido pelo próprio governo.
"O que está em debate, com essa decisão, não é a transição energética, que já está em curso e não vai parar. O que está em debate é qual modelo de desenvolvimento o país pretende incentivar para a nova mobilidade e qual espaço será reservado à produção nacional nesse processo."
A entidade diz que, nos últimos anos, a eletrificação avançou de forma acelerada no país. "Novas marcas chegaram ao mercado, a oferta de veículos aumentou e os emplacamentos de eletrificados importados cresceram 214% entre 2023 e 2025", aponta.
A associação lembra que os R$ 140 bilhões anunciados pelas montadoras em investimentos no Brasil até 2033 serão destinados a novas formas de propulsão incluindo a eletrificação, pesquisa, engenharia, modernização industrial e ampliação da cadeia de fornecedores.
"Por essa razão, a discussão deixou de ser como acelerar a entrada dos veículos eletrificados no mercado brasileiro. O desafio agora é garantir que essa transformação gere mais produção local, desenvolvimento tecnológico, fornecedores, engenharia e agregação de valor no país", diz a entidade das montadoras.
(Com Agência Estado)
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