O preço internacional do petróleo segue sentindo os efeitos da escalada nas tensões geopolíticas e econômicas a partir dos ataques militares dos Estados Unidos contra a Venezuela, no último fim de semana, que levaram à deposição do ditador Nicolás Maduro.
Nesta quarta-feira (7/1), um petroleiro da Rússia que transportava óleo da Venezuela no Oceano Atlântico foi interceptado pelos EUA. A informação foi confirmada pelo Comando Europeu dos EUA e pela rede estatal russa RT, que divulgou vídeo em que um helicóptero norte-americano voa ao redor da embarcação de bandeira russa, em águas internacionais.
PREÇOS DO PETRÓLEO
Por volta das 11h45 (pelo horário de Brasília), o barril de petróleo do tipo WTI (referência para o mercado norte-americano) tombava 1,1% e era negociado a US$ 56,50.
No mesmo horário, o petróleo do tipo Brent (referência para o mercado internacional) recuava 0,58%, cotado a US$ 60,35.
ESCALADA NA TENSÃO
Segundo o Comando dos EUA, a embarcação interceptada nesta quarta-feira, a M/T Sophia, operava em águas internacionais e realizava “atividades ilícitas” no mar do Caribe. A Guarda Costeira dos EUA faz a escolta da M/T Sophia até os EUA para o destino final.
“Em uma operação realizada antes do amanhecer desta manhã, o Departamento de Guerra, em coordenação com o Departamento de Segurança Interna, apreendeu, sem incidentes, um navio-tanque ilegal, pertencente à frota clandestina, sem autorização”, diz o Comando.
“Por meio da Operação Southern Spear, o Departamento de Guerra mantém-se firme em sua missão de combater a atividade ilícita no Hemisfério Ocidental. Defenderemos nossa pátria e restauraremos a segurança e a força em todas as Américas”, complementa.
Segundo o jornal britânico The Guardian, o Exército dos EUA confirmou a apreensão de petroleiro de bandeira russa. “A embarcação foi apreendida no Atlântico Norte em cumprimento a um mandado expedido por um tribunal federal dos EUA, após ter sido rastreada pelo navio da Guarda Costeira dos EUA, o USCGC Munro”, afirmou o Comando Europeu dos EUA.
PETRÓLEO VENEZUELANO NOS EUA
Na terça-feira (6/1), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o governo interino da Venezuela concordou em entregar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” aos norte-americanos. Segundo ele, o produto será vendido a preço de mercado, e os recursos obtidos ficarão sob seu controle direto.
“Tenho o prazer de anunciar que as autoridades interinas da Venezuela entregarão entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo de alta qualidade, sujeito a sanções, aos Estados Unidos da América”, escreveu. De acordo com o presidente, o dinheiro arrecadado será administrado pela Casa Branca para garantir que seja usado “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
Trump afirmou ainda que solicitou ao secretário de Energia, Chris Wright, a execução imediata do plano. Segundo ele, o petróleo será transportado por navios-tanque e levado diretamente aos portos de descarga em território norte-americano. De acordo com o jornal Financial Times, uma frota de petroleiros dos EUA deve começar a carregar petróleo venezuelano nos próximos dias.
A declaração teve impacto imediato no mercado. O barril do WTI (West Texas Intermediate), referência no mercado norte-americano, chegou a cair até 2,4% após o anúncio.
Se confirmado, o volume representa entre 30 e 50 dias da produção venezuelana antes do bloqueio parcial imposto ao país. Na cotação atual, o carregamento pode alcançar cerca de US$ 2,8 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 15 bilhões.
O país sul-americano detém a maior reserva comprovada de petróleo do mundo, com capacidade estimada em cerca de 303 bilhões de barris, segundo dados da Energy Information Administration (EIA), órgão oficial de estatísticas energéticas dos EUA. A produção, no entanto, despencou nas últimas décadas.
O QUE ESPERAR?
Em entrevista ao Metrópoles, no fim de semana, Adriano Pires, especialista no setor de energia e infraestrutura, disse não acreditar em uma elevação nos preços do petróleo como consequência da ação norte-americana. Isso porque a produção da Venezuela no contexto global não é expressiva e já havia um excesso de oferta do produto no mundo.
Foi por isso que os preços do petróleo registraram uma perda de quase 20% no ano passado, o que representou a maior queda anual desde 2020. Recuos nesse nível ocorreram tanto nos contratos futuros do barril tipo Brent, a referência para o mercado mundial, como no West Texas Intermediate (WTI), que baliza o mercado norte-americano.
“No curto prazo, acredito que o preço do petróleo pode até diminuir no mercado internacional, como resultado da ação dos EUA na Venezuela”, diz Pires. “Ela pode criar uma expectativa de que a produção mundial deve aumentar com o fortalecimento do setor no país, depois da eventual chegada das gigantes norte-americanas à Venezuela.”
Para o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, no entanto, o risco de elevação do preço da commodity é mais do que significativo. Na verdade, ele considera que a alta é uma “aposta certeira” no mercado internacional já a partir desta segunda-feira.
Ardenghy acredita que essa volatilidade é impulsionada pela incerteza política e pelas possíveis reações de aliados estratégicos da Venezuela e membros da Opep, como Rússia e Irã, além de uma eventual redução na oferta global.
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