Logo no início da sessão, Flávio Dino e Gilmar Mendes levantaram discussões preliminares para tentar evitar o julgamento. Para eles, houve falha técnica na condução do caso fortes o suficiente para justificar o arquivamento dos indícios de que Moraes mantinha uma relação suspeita com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
Aliados de Moraes, Dino e Gilmar questionaram, entre outros pontos, que Edson Fachin, presidente do STF, não poderia ter avocado os processos para sua própria relatoria. Também argumentaram que os indícios contra Moraes deveriam ser discutidos no mesmo dia do pedido de investigação contra Mendonça, agendado para o dia 23.
Durante o intervalo da sessão, até mesmo ministros aliados de Mendonça apostavam que a discussão seria interrompida antes mesmo de se chegar ao mérito. Um dos cenários para isso acontecer, seria se a maioria do plenário concordasse com as questões de Gilmar Mendes e Flávio Dino. A outra hipótese seria não dar tempo de entrar no mérito até o fim do dia, já que há expectativa de outras questões preliminares serem levantadas pelo grupo de Moraes.
A situação de Moraes ficou mais confortável depois que Kassio Nunes Marques se declarou impedido para participar da decisão. Com isso, Mendonça teria um voto a menos - o que pode fazer diferença no placar já a partir da votação das questões de ordem.
A contabilidade de bastidores aponta os votos de Dino, Gilmar e Zanin como favoráveis a Moraes. Mendonça e Luiz Fux estariam no time oposto. Ainda restam dúvidas sobre os posicionamentos de Edson Fachin e Cármen Lúcia, mas a tendência é que se alinhem ao time de Mendonça.
Em caso de empate nas votações, das preliminares ou do mérito, os ministros precisariam discutir em plenário uma solução que contemplasse a maioria dos integrantes do tribunal. Os ministros aproveitaram o intervalo da sessão para costurar uma saída para a situação.
(Com Agência Estado)
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