Novas revelações da Operação Fariseus apontam que mulheres ligadas ao projeto religioso “Resgatando Vidas” mantinham relacionamentos amorosos e íntimos com integrantes do Comando Vermelho em Mato Grosso (CVMT). As conversas interceptadas pela Polícia Civil mostram que elas também organizavam visitas a presos e chegavam a dividir entre si os contatos com diferentes lideranças da facção.
A investigação tem como principal alvo a missionária Rhvenna Barcelos de Almeida, apontada pela polícia como uma das responsáveis pela estrutura que teria aproximado o grupo religioso de integrantes do Comando Vermelho.
De acordo com o relatório policial, além de Rhavenna, aparecem nas conversas Wiara Lima Cadore, Karolina Lopes Padilha, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Lais Barbosa Lopes e Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi.
Os diálogos analisados pela investigação indicam que os contatos não se limitavam a atividades religiosas. Segundo a Polícia Civil, havia relações pessoais e amorosas, visitas frequentes a presos e referências a encontros íntimos com integrantes da organização criminosa.
Entre os homens citados nas conversas estão Sandro Louco, apontado pela investigação como uma das principais lideranças do CVMT, Paulo Witer Farias, o WT, Leonardo de Jesus, o Buchudo, Luiz Fagner Gomes dos Santos, o Zóio, e Pedro Antônio dos Santos, conhecido como Pedrinho ou Cotonete.
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“UM POR UM”
Em uma das conversas, registrada em novembro, Wiara relata que pretendia aproveitar o feriado para visitar diferentes presos. “Gata, cada dia eu vou visitar um. Você acha que eu venho? Vou aproveitar o feriado, porque é dia de presídio”, diz ela em um dos trechos.
Na sequência, explica que faria as visitas individualmente para evitar problemas entre os homens. “Vai ser um por um, para nenhum ficar brigado um com o outro. Então vou visitar todos”, afirma.
Para os investigadores, a conversa demonstra que as visitas eram planejadas levando em consideração a relação das mulheres com diferentes integrantes da facção.
Em outro momento, uma das integrantes afirma que havia ido ao local justamente porque no dia seguinte seria dia de presídio.
MULHERES DIVIDIAM CONTATOS COM LIDERANÇAS
Outro diálogo, interceptado em dezembro de 2025, reforçou a suspeita de que as integrantes organizavam entre si os contatos com os líderes da facção.
Karolina afirma que ficaria com determinados integrantes, enquanto as demais poderiam manter contato com outros. Na sequência, são citados nomes como Sandro Louco, Paulo Witer Farias, Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”, e Leonardo de Jesus, o “Buchudo”.
Segundo o relatório, os apelidos utilizados nas conversas foram relacionados pela investigação a integrantes da cúpula ou a pessoas ligadas ao Comando Vermelho.
Para a Polícia Civil, a forma como os nomes eram distribuídos entre as mulheres reforça a hipótese de que os vínculos ultrapassavam a atuação religiosa.
“NÃO BASTA SER BANDIDO, TEM QUE SER PRESO”
Em outro trecho, de fevereiro de 2026, as próprias integrantes fazem comentários sobre suas preferências por homens ligados ao crime. Wiara pergunta: “Adora um bandido, né, Mari?”. Na sequência, Karolina responde que prefere um homem preso a outro que esteja em liberdade. Ela ainda afirma: “Não basta ser bandido, tem que ser preso”.
Segundo o relatório policial, as falas foram analisadas em conjunto com outras conversas que fazem referência a relacionamentos, visitas na PCE e integrantes da facção.
A investigação também relacionou as conversas a viagens realizadas pelas mulheres ao Rio de Janeiro, onde elas teriam mantido contato com pessoas ligadas ao Comando Vermelho.
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REFERÊNCIAS A SEXO E RELACIONAMENTOS
A Polícia Civil também identificou nos diálogos referências explícitas a relações íntimas. Para os investigadores, quando analisadas em conjunto com as demais mensagens, as falas reforçam a existência de vínculos amorosos e sexuais entre as mulheres e integrantes da facção.
O relatório destaca que a combinação entre as referências a sexo, os comentários sobre namorados, a organização das visitas e a divisão dos contatos com lideranças afastaria a hipótese de que os vínculos fossem exclusivamente religiosos.
A investigação aponta ainda que algumas das mulheres mantinham contato com integrantes presos, enquanto outras se relacionavam com pessoas que estavam em liberdade ou foragidas.
BENEFÍCIOS RECEBIDOS DE LÍDERES
As conversas também mencionam benefícios recebidos de integrantes do Comando Vermelho. Em julho de 2025, Karolina escreveu no grupo: “Aproveitamos horrores a caixa que Sandro louco deu”.
Meses depois, ao comentar sobre o retorno de Sandro Louco ao convívio com outros presos, ela afirma que, “se ele foi, o resto vai”.
Para os investigadores, os diálogos indicam que as mulheres não apenas mantinham proximidade com integrantes da facção, mas também usufruíam de benefícios fornecidos por eles.
PATRIMÔNIO DE RHVENNA EM INVESTIGAÇÃO
Além das conversas sobre os relacionamentos, a Polícia Civil investiga o patrimônio de Rhvenna Barcelos de Almeida e a possível utilização de uma empresa registrada em seu nome para movimentação de dinheiro ligado à facção.
Segundo o delegado Victor Hugo, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Dracco), a empresa “A Burguesinha dos Looks” teria sido utilizada como fachada para lavagem de dinheiro.
A polícia também levantou suspeitas sobre a origem de outros bens e despesas atribuídos à missionária. Entre os pontos citados pelo delegado está uma cirurgia plástica que, segundo a investigação, teria sido paga por integrantes do Comando Vermelho.
Rhvenna foi denunciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro e permanece presa desde a deflagração da Operação Fariseus, em 16 de julho deste ano.
As conversas e demais elementos reunidos pela Polícia Civil foram utilizados para sustentar a investigação sobre a suposta ligação entre o projeto religioso e integrantes do Comando Vermelho.
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