Novas informações obtidas pela Polícia Civil de Mato Grosso revelaram que a missionária Rhavenna Barcelos de Almeida, de 24 anos de idade, investigada por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV), mantinha um segundo relacionamento amoroso com Renildo Silva Rios, apontado pelas investigações como um dos fundadores da facção em Mato Grosso.
A informação foi revelada pelo Fantástico, da TV Globo, neste domingo (13), durante reportagem que apresentou mensagens, fotos, vídeos e outros elementos reunidos pela polícia na investigação. Rhavenna já era investigada por manter um relacionamento com Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman”, também apontado como integrante de liderança do Comando Vermelho.
RELACIONAMENTO COM RENILDO
Segundo a investigação, Rhavenna e Renildo mantinham contato por meio de mensagens e teriam desenvolvido uma relação que ia além da ligação religiosa mantida pela família da missionária com pessoas privadas de liberdade.
Renildo Silva Rios está preso há mais de duas décadas por crimes relacionados a homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Ele é apontado pelas investigações como um dos fundadores do Comando Vermelho em Mato Grosso.
De acordo com os investigadores, Renildo teria enviado presentes para Rhavenna durante o relacionamento. Entre os itens mencionados estão uma pulseira de ouro personalizada e um carro.
A polícia também investiga a suspeita de que Rhavenna e os pais dela, os pastores Nivaldo de Almeida e Orminda de Almeida, tenham movimentado recursos em benefício do faccionado.
FAMÍLIA ERA MONITORADA PELA POLÍCIA
A investigação aponta que a proximidade com integrantes do crime organizado não se restringia a Rhavenna. Os pais dela, Nivaldo e Orminda de Almeida, atuavam como religiosos e tinham acesso a unidades prisionais para atividades de evangelização.
Conforme os investigadores, esse acesso teria sido utilizado para manter contato com integrantes do Comando Vermelho e facilitar a comunicação entre pessoas presas e membros que estavam fora das unidades. Mensagens, fotografias, vídeos, ligações e movimentações financeiras passaram a ser analisados pela Polícia Civil durante a apuração.
Segundo os investigadores, a família teria utilizado os vínculos construídos por meio da atuação religiosa para manter proximidade com integrantes da organização criminosa e, em alguns casos, movimentar recursos.
RELAÇÃO COM “BATMAN”
Antes da descoberta do relacionamento com Renildo, Rhavenna já era investigada por sua proximidade com Jonas Souza Gonçalves Júnior, o “Batman”.
Segundo a polícia, os dois mantinham um relacionamento amoroso. Após fugir do sistema prisional e se esconder no Rio de Janeiro, o criminoso teria continuado mantendo contato com a missionária.
A investigação aponta que Rhavenna viajava com frequência para encontrá-lo. Registros analisados pela polícia mostram os dois juntos em momentos de lazer e situações de ostentação.
Os investigadores também suspeitam que a missionária tenha compartilhado informações que poderiam beneficiar o criminoso, inclusive dados relacionados à atuação das forças de segurança.
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OSTENTAÇÃO EM INVESTIGAÇÃO
Fotos e vídeos obtidos durante a investigação também mostram Rhavenna em situações de lazer ao lado de pessoas ligadas ao grupo criminoso.
Para os investigadores, o material reforça a suspeita de que a relação da missionária com integrantes da facção ultrapassava a convivência decorrente das atividades religiosas.
A polícia passou a investigar ainda a origem dos recursos utilizados para bancar viagens, presentes, veículos e outros bens relacionados aos envolvidos.
DENÚNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO
Rhavenna foi presa preventivamente durante a Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil para investigar a suposta atuação de pessoas ligadas ao Comando Vermelho. Além dela, os pais também foram investigados. Nivaldo de Almeida morreu recentemente em decorrência de câncer.
Na sexta-feira (11), o Ministério Público denunciou Rhavenna, Orminda de Almeida e Renildo Silva Rios pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As defesas dos investigados negam as acusações e contestam a participação deles nas atividades criminosas apontadas pela investigação.
O caso continua sendo apurado pelas autoridades.
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