A análise dos celulares apreendidos durante a Operação Fariseus revelou conversas e contatos entre os investigados e lideranças do Comando Vermelho (CV), segundo informações da Polícia Civil. O conteúdo extraído dos aparelhos integra o conjunto de provas reunidas pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco) para embasar a operação deflagrada na quinta-feira (16).
Entre os investigados está a missionária Rhavenna Barcelos Almeida, de 24 anos, apontada pela Polícia Civil como uma das operadoras da facção em Mato Grosso. Conforme a investigação, ela atuava como interlocutora entre integrantes presos, criminosos em liberdade e lideranças do Comando Vermelho, como Sandro Silva Rabelo, o "Sandro Louco". Além disso, ela movimentaria recursos financeiros atribuídos à organização.
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Durante coletiva de imprensa, o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas afirmou que a perícia realizada nos aparelhos confirmou diversos elementos levantados ao longo da investigação.
De acordo com a Polícia Civil, os celulares continham conversas com presos, foragidos da Justiça e integrantes da facção criminosa, além de mensagens utilizadas para intermediar recados entre detentos e pessoas em liberdade.
Os investigadores também identificaram fotografias, vídeos e registros de videochamadas que, segundo a investigação, reforçam a relação dos suspeitos com membros da organização criminosa. Parte desse material foi produzida durante viagens ao Rio de Janeiro, em comunidades dominadas pelo Comando Vermelho.
Ainda conforme a investigação, os aparelhos armazenavam informações relacionadas à movimentação de recursos financeiros, contatos frequentes com lideranças da facção e comunicações ligadas ao ambiente prisional.
O material continuará sendo periciado pela Draco para individualizar a participação de cada investigado e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
OPERAÇÃO FARISEUS
A Operação Fariseus foi deflagrada na quinta-feira (16) para desarticular um grupo suspeito de utilizar um projeto missionário em unidades prisionais para favorecer integrantes do Comando Vermelho.
Segundo a Polícia Civil, Rhavenna Barcelos, os pais dela e outros investigados utilizavam a iniciativa religiosa para facilitar a comunicação entre presos e criminosos em liberdade, além de, supostamente, prestar apoio financeiro e logístico à organização criminosa.
As investigações também apontam que o grupo movimentava dinheiro em espécie, utilizava contas bancárias de familiares e terceiros para ocultar recursos da facção e mantinha uma empresa de fachada para lavar valores provenientes das atividades criminosas. A Justiça autorizou prisões preventivas, buscas e apreensões e a quebra dos sigilos telefônico, bancário e telemático dos investigados, enquanto o inquérito segue em andamento.
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