A Capital Consig foi apontada pela Polícia Federal como a principal empresa de um grupo econômico investigado por suspeita de fraudar servidores públicos, aposentados e pensionistas de Mato Grosso por meio da oferta de cartões de crédito consignado que, na prática, funcionariam como empréstimos consignados com juros elevados e mecanismos que dificultavam a quitação das dívidas.
A empresa é o principal alvo da Operação Fugazi, deflagrada nesta quarta-feira (15). Ao todo, a Polícia Federal cumpriu 13 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul, expedidos pela Justiça Federal em Mato Grosso. Também foram determinados o bloqueio de contas bancárias, ativos financeiros e o sequestro de bens móveis e imóveis dos investigados.
Segundo a investigação, o grupo apresentava aos consumidores um produto comercializado como cartão de crédito consignado, mas que funcionava como um empréstimo consignado disfarçado. O modelo previa descontos contínuos na folha de pagamento, cobrança de juros elevados e mecanismos que impediam ou dificultavam a liquidação do débito, fazendo com que, em muitos casos, o saldo da dívida aumentasse ao longo do tempo.
Além da Capital Consig, também são investigadas as empresas Clickdigital Participações S.A., Clickbank Instituição de Pagamentos Ltda., Bemcardes Benefícios S.A., ABCCARD Cartões Ltda., Quiz Holding Ltda. e Cartos Sociedade de Crédito Direto S.A..
A operação também tem como alvos os empresários Marcolino Medeiros Junior, Roberto Arduini Gomes Teixeira, Sven Stefan Padre Kuhn, Caspar Heinrich Menke, Yim Kyu Lee e Henrique Souza e Silva Peretto.
Em Porto Alegre (RS), um dos principais alvos foi o empresário Marcolino Medeiros Junior, ligado à Cartos Sociedade de Crédito Direto. Conforme a Polícia Federal, a empresa integra o mesmo grupo econômico da Capital Consig e teria participado da estrutura utilizada para operacionalizar os contratos investigados.
Investigação começou após denúncias de sindicatos
As apurações tiveram início em 2025, após sindicatos que representam servidores públicos estaduais de Mato Grosso encaminharem representação ao Ministério Público Federal relatando supostas irregularidades na comercialização de crédito consignado pela Capital Consig e empresas do mesmo grupo econômico.
Entre as denúncias estavam a oferta de um cartão de crédito consignado que funcionaria como empréstimo disfarçado, operações conhecidas como "tele saque", ausência de cartão físico, falta de envio de faturas e descontos mensais em folha que dificultariam a redução da dívida.
As entidades também apontaram crescimento patrimonial considerado incompatível das empresas e solicitaram a investigação de possíveis crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.
Com base nas denúncias, o Ministério Público Federal determinou a instauração de inquérito pela Polícia Federal. Paralelamente, o Ministério Público Estadual abriu investigação civil para apurar possíveis práticas abusivas contra servidores públicos de Mato Grosso.
A Operação Fugazi investiga suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, lavagem de dinheiro e outros delitos que possam ser identificados ao longo das investigações.
Empresa diz que colaborará com investigação
Em nota, a Capital Consig informou que recebeu a operação "com surpresa" e classificou a diligência como "desnecessária e desproporcional".
A empresa afirmou que entrega todos os documentos solicitados pela Justiça, declarou atuar sob fiscalização do Banco Central e disse que continuará colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
Segundo a instituição, as atividades seguem normalmente e não houve impacto para clientes, parceiros e colaboradores.
Até o momento, a Polícia Federal trata o caso como investigação, e não há condenações relacionadas aos fatos apurados.
*Com informações de G1 MT
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