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Artigos Terça-feira, 15 de Setembro de 2026, 07:45 - A | A

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Terça-feira, 15 de Setembro de 2026, 07h:45 - A | A

SUELY FERNANDES

A casa que existe dentro de nós

SUELY FERNANDES

SUELY FERNANDES

Passamos grande parte da vida procurando um lugar onde finalmente possamos sentir que pertencemos.

Procuramos esse lugar nas pessoas que encontramos, nos relacionamentos que construímos, no trabalho que conquistamos, nos sonhos que realizamos, nas cidades onde vivemos, nas coisas que adquirimos e até no reconhecimento que recebemos.

Acreditamos que, quando encontrarmos aquilo que estamos procurando, finalmente teremos paz.

Mas talvez tenhamos passado tempo demais olhando para fora.

Talvez o lugar que procuramos durante tantos anos nunca tenha sido um endereço, uma pessoa ou uma conquista.

Talvez fosse dentro de nós.

Existe uma diferença entre estar acompanhado e sentir-se pertencente. Entre ter uma casa e sentir-se em casa. Entre ser reconhecido pelos outros e reconhecer a si mesmo.

Podemos estar cercados de pessoas e ainda sentir uma imensa solidão. Podemos conquistar aquilo que desejávamos e, mesmo assim, experimentar um vazio que nenhuma conquista consegue preencher.

Porque nenhuma realidade externa consegue oferecer, de maneira permanente, aquilo que ainda não aprendemos a construir dentro de nós.

A casa interior é esse lugar silencioso onde podemos finalmente descansar de tentar provar quem somos.

É onde deixamos de precisar da aprovação de todos.

Onde compreendemos que não precisamos ser perfeitos para merecer amor, nem ter todas as respostas para continuar caminhando.

É o lugar onde aprendemos a conviver com nossas contradições, perdoar nossas versões anteriores e aceitar que ainda estamos em construção.

Talvez amadurecer seja justamente isso: parar de procurar desesperadamente fora aquilo que precisa ser encontrado dentro.

Não significa deixar de amar pessoas, sonhar, conquistar ou desejar novos caminhos. Pelo contrário.

Significa não colocar sobre o mundo a responsabilidade de nos completar.

Porque quando fazemos isso, qualquer perda parece nos destruir. Qualquer rejeição parece definir nosso valor. Qualquer mudança parece nos arrancar do lugar.

Mas quando encontramos nossa casa interior, alguma coisa muda.

As pessoas podem chegar, e nós as recebemos sem deixar de ser nós mesmos.

Podem partir, e sentiremos a dor, mas não perderemos completamente o chão.

Os planos podem mudar, e teremos coragem para recomeçar.

As portas podem se fechar, e ainda saberemos que existe um lugar dentro de nós onde podemos permanecer.

Encontrar nossa casa interior não significa nunca mais nos perder. Significa saber para onde voltar quando nos perdermos.

Talvez seja por isso que algumas pessoas, depois de atravessarem tantas experiências, finalmente diminuam a necessidade de correr.

Já não precisam chegar primeiro.

Já não precisam convencer ninguém.

Já não precisam transformar cada conquista em prova de valor.

Elas simplesmente passam a habitar a própria existência.

E existe uma paz muito bonita nisso.

A paz de não precisar fugir de si mesmo.

De olhar para a própria história e perceber que, apesar de tudo o que aconteceu, ainda existe um lugar dentro de você que permaneceu.

Um lugar que não envelhece da mesma maneira.

Que não depende das circunstâncias.

Que não desaparece quando alguém vai embora.

Que permanece mesmo quando a vida muda de forma.

Talvez tenhamos passado a vida inteira tentando encontrar um lugar no mundo, quando o verdadeiro caminho era aprender a pertencer a nós mesmos.

E talvez, no fim de tantos caminhos, a maior descoberta seja perceber que a casa que procurávamos nunca esteve em algum lugar distante.

Ela sempre esteve aqui.

Dentro de nós.

Esperando apenas que tivéssemos coragem de voltar.

(*) SUELY FERNANDES é  servidora pública e autora de textos de reflexão sobre autoconhecimento, valores e espiritualidade.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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