Em 2025, um dos grandes marcos da política mato-grossense e brasileira foi a eleição da primeira Mesa Diretora, exclusivamente, feminina da Câmara Municipal de Cuiabá. Era legítimo esperar mais do que intensa cobertura jornalística, avalanche de postagens e afins. Esperava-se direção, coragem institucional e capacidade de condução política.
Um ano depois, a pergunta que ecoa na opinião pública é simples e incômoda: a que veio essa Mesa? Não se trata de negar o valor da representatividade. Ela importa, abre portas, inspira trajetórias e confronta estruturas excludentes. O problema começa quando o símbolo não se traduz em prática.
O ineditismo não se converteu em ações que diferenciassem a gestão das anteriores. Há ainda um ponto pouco debatido, mas central, a meu ver: Comunicação Institucional é exercício de poder. A Mesa não apenas administra pautas. É seu papel também comunicar prioridades, sinalizar forças, estabelecer limites institucionais, ser ponte.
No discurso de posse da Mesa, composta por Paula Calil, Maysa Leão, Michelly Alencar, Katiuscia Manteli e Mara, houve promessas de independência e diálogo. Na prática, vimos uma condução tímida e, em vários episódios, a relação com o Executivo ultrapassou o diálogo republicano, flertando com a subserviência. Afinal, Comunicação Institucional frágil quase sempre expõe dependência política.
Ao analisar essa atuação, não critico a presença de mulheres no poder. Defendo arduamente a presença feminina, sou entusiasta e tenho respeito por todas que ali chegaram. Mas não acredito que gênero, por si só, garanta qualidade de gestão e menos ainda: voto não significa liderança efetiva. A democracia se fortalece com pluralidade, e experiência, diversidade de visões e equilíbrio de forças importam, e muito.
Há mais de 25 anos atuando diretamente ao lado de líderes, assessorando, mentoreando e formando, em especial na política, digo: liderança não se consolida apenas com votos. Não basta chegar lá; é preciso saber se manter. Liderar é assumir risco, assim como influência não nasce do cargo, mas da clareza com que ele é ocupado.
Do ponto de vista da Neurocomunicação, área com a qual atuo, há um alerta importante para 2026: paralisia comunicacional gera paralisia política. Voz contida demais, discurso defensivo e medo de desgaste público criam um ambiente de autocensura que enfraquece a liderança.
A Mesa Diretora feminina falhou, até aqui, ao não mostrar por que merecia se tornar referência. Seja em qual esfera for, o verdadeiro teste efetivo de relevância é ter uma comunicação clara, fundamentada na coerência entre discurso e atitude.
Há mais um longo ano pela frente. Se quiserem fazer diferente, precisarão ajustar pelo menos três eixos: voz, que não peça permissão para existir; posicionamento, que não oscile diante da pressão; e influência, que não dependa da validação do Executivo.
No entanto, sabemos que a história pode até registrar quem chega primeiro, mas a política respeita quem se sustenta, e quem não se sustenta acaba sendo tragado pelo sistema. Isso vale para todas as esferas, especialmente em um ano eleitoral.
(*) KAROL GARCIA é jornalista, mentora e estrategista em Reputação e Comunicação Corporativa e Pública, diretora da KG Inteligência em Comunicação. Instagram @karolgarcia.
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