Artigos Quarta-feira, 06 de Julho de 2011, 17:06 - A | A

Quarta-feira, 06 de Julho de 2011, 17h:06 - A | A

Itamar Franco, pai do Real

Pai do Plano Real, Itamar precisou morrer para ter reconhecimento público por alguns veículos de comunicação. Itamar está longe de ter sido estadista, como também não está no panteão dos presidentes mais queridos, pouco importa.

CARLOS BIASOLI

 

Divulgação

Morreu Itamar Franco, ex-presidente do Brasil e senador pelas Minas Gerais. Pai do Plano Real, precisou morrer para ter reconhecimento público por alguns veículos de comunicação. Itamar está longe de ter sido estadista, como também não está no panteão dos presidentes mais queridos, pouco importa.

Itamar foi governante folclórico, ressuscitou o fusca, teve a bobagem com a dançarina sem calcinha no camarote da Sapucaí, e a cena mais emblemática, quando procurado por Antonio Calos Magalhães que anunciava ter um dossiê sobre um dos seus ministros, chamou o então senador pela Bahia ao Palácio do Planalto e no meio da insistência do acusador abriu as portas para imprensa ouvir o que ele tinha a dizer. ACM, o "Toninho Marvadeza", apopléctico, mostrou somente um punhado de reportagens contra o ministro inimigo, todas oriundas de veículos de comunicação ligados a sua família.

Todavia, Itamar em sua passagem rápida pela presidência foi a melhor figura que poderíamos ter naquele momento do impedimento de Collor. Não foi pouco o que fez. Pois era frustrante o impedimento do presidente eleito após o hiato democrático na ditadura militar. Sobretudo, o perdurar inflacionário.

Teve a coragem de nomear para Ministro da Fazenda um sociólogo, Fernando Henrique Cardoso, qual nunca o perdoou por ter tentado lhe tirar a paternidade do real. Sobre FHC, seu primeiro Ministro da Fazenda de três em seu mandato, declarou: "A medida provisória não foi assinada pelo senhor Cardoso, que nem assistiu à reunião do lançamento do Plano Real. Mas foi no meio da rua, buscou a cedulazinha e a mostrou como se ele fosse o dono do plano. E deixei por quê? Porque era nosso candidato. Se eu não deixar que ele inventou o plano, o Lula vai vencer as eleições."

FHC, que também tem seus méritos, nomeado montou uma equipe de notáveis no ministério, a sua surpresa foi saber que o "plano" de combate a inflação já "estava pronto". O Plano Real é a aplicação do Plano Larida, outrora preterido em razão da escolha do fracassado Plano Cruzado. O Real fora baseado num plano israelense. A assinatura foi de FHC e a autoria de três economistas: Edmar Bacha, Pérsio Árida e André Lara Resende.

Digo assinatura, pois a discussão da época era se FHC poderia assinar as cédulas como ministro da fazenda da época, mesmo tendo deixado o ministério para ser substituído por Rubens Ricupero e Ciro Gomes, em seqüência.

Os números econômicos que dizem respeito a paternidade da estabilidade econômica do país estão aos cântaros para serem discutidos: Itamar entregou a inflação de um dígito, carga tributária bruta de 27% do PIB, dívida líquida do setor público em 31% e US$ 40 bilhões de reservas internacionais. FHC elevou a carga tributária para 34%, dívida líquida/PIB de 56% e reservas de US$ 16 bilhões com a inflação acima de 12%.

Itamar, o pai da estabilidade econômica do Brasil.

(*) CARLOS BIASOLI é Diretor Regional de Relacionamentos da Biasoli Consultores Independentes e colaborador de Hipernoticias. E-mail: diretoria@biasoliconsultores.com.br.

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