O diretório municipal do PT em Rondonópolis (212 km de Cuiabá) negou qualquer vínculo com o empresário Carlos Eduardo Caleman, suspeito de perseguir Raquel Mattei, presidente do diretório municipal do partido Novo no município.
A repercussão teve início após a divulgação da denúncia de Raquel, que registrou boletim de ocorrência relatando ter sido perseguida por cerca de 30 quadras ao lado da filha na noite de quarta-feira (3). Segundo a empresária, o episódio teria sido motivado por um adesivo do pré-candidato a deputado federal Vinícius Santana (Novo) afixado em seu veículo.
A motivação apontada pela empresária alimentou boatos de que o suposto agressor pudesse estar ligado à esquerda.
Nas redes sociais, o pré-candidato ao Governo de Mato Grosso pelo partido Novo, Marcelo Maluf, publicou uma nota de solidariedade à dirigente partidária. No texto, ele afirmou estar indignado com o caso e classificou o episódio como um ataque à liberdade de expressão.
"Não podemos tolerar que uma mulher seja perseguida, intimidada ou ofendida por suas posições políticas. A democracia exige respeito, mesmo quando existem divergências", escreveu Maluf.
Paralelamente, o pré-candidato a deputado federal Vinícius Santana intensificou o tom político do caso em vídeos divulgados nas redes sociais, em que ele se dirigiu ao estabelecimento comercial ligado ao empresário acusado da perseguição, chamando-o de "comunista" e "petista". O integrante da sigla também convocou apoiadores para um adesivaço de protesto na Avenida Lions Internacional, em frente ao shopping onde funciona o comércio associado ao suspeito.
A tentativa de vincular Carlos Eduardo Caleman ao Partido dos Trabalhadores, entretanto, foi fortemente contestada pela sigla. Ao HNT, o presidente municipal do PT, Julio Cesar, afirmou ter realizado consulta nos registros da legenda e negou qualquer filiação do empresário.
"O Sr. Carlos Eduardo Caleman não pertence aos quadros do partido dos trabalhadores de Rondonópolis, não havendo nenhuma vinculação com o partido dos trabalhadores", declarou.
Reforçando o posicionamento, a Direção Executiva do PT de Rondonópolis divulgou uma nota oficial em que repudia o que chamou de calúnias promovidas por lideranças que classificou como "extremistas" e "oportunistas de internet". O texto enfatiza que o empresário não participa de nenhuma atividade partidária e argumenta que o caso vem sendo utilizado para gerar engajamento digital através de ataques à militância.
Na nota, o diretório petista também pondera que os fatos contam atualmente apenas com uma versão unilateral e defende que o episódio deve ser devidamente apurado no âmbito da Justiça, em vez de ser debatido por "tribunais de internet".
Por fim, a direção Executiva rebateu acusações de comportamento violento relembrando episódios históricos de violência política nacional e advertiu que qualquer ilação ou difamação contra a legenda será encaminhada ao setor jurídico para responsabilização judicial.
OUTRO LADO
O empresário citado nas denúncias ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações. O espaço permanece aberto.
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