A viúva do policial militar Thiago de Souza Ruiz, Walkuiria Filipaldi Correa, criticou duramente a decisão do Tribunal do Júri que resultou na soltura do investigador da Polícia Civil Mário Wilson e afirmou que a família buscará a anulação do julgamento. Em pronunciamento após o encerramento da sessão, ela acusou a defesa de desqualificar a imagem da vítima durante o plenário e classificou o resultado como “impunidade”.
Mário recebeu uma pena de dois anos em regime aberto por “excesso culposo” pelo assassinato a tiros do PM após uma desavença em uma conveniência de um posto de gasolina na Praça 8 de Abril em Cuiabá em 2023.
“Não é só o Mário que tem família. O Mário saiu pela porta da frente ontem, do fórum, comemorando. A vida virou o quê? A morte de alguém virou uma comemoração”, declarou.
Walkuiria afirmou que o advogado de defesa, Claudio Dalledone, apresentou uma tese que, segundo ela, nunca havia sido discutida ao longo do processo. Conforme o relato, a acusação original tratava o caso como homicídio qualificado por motivo fútil e sem possibilidade de defesa da vítima.
Dallefone é famoso por defender criminosos famosos como o goleiro Bruno e o ex-vereador Dr. Jairinho, responsável pelas agressões que resultaram na morte de Henry Borel de apenas 4 anos em 2021. Seu escritório também está defendendo o advogado Cleber Lagreca, acusado de femincídio da empresária Elaine Stelatto no Lago do Manso em 2023.
“Em nenhuma página do processo há menção a homicídio culposo por negligência. Até o boletim de ocorrência é de homicídio qualificado”, disse.
Durante a fala, a viúva também criticou a condução da defesa no júri e alegou que os jurados teriam sido induzidos ao erro durante a formulação dos quesitos apresentados ao conselho de sentença.
“O conselho de sentença deveria se ater aos autos processuais, não ao diz que me disse, às mentiras que foram tratadas nesse júri”, afirmou.
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Walkuiria ainda contestou a versão apresentada pela defesa sobre a abordagem feita pelo policial militar antes do crime. Segundo ela, o réu estaria embriagado e armado em uma conveniência no momento da ocorrência.
“A vítima levou sete tiros dentro de uma conveniência, onde o réu não teve sequer nenhum temor, mesmo com várias câmeras no local”, declarou.
Ela também afirmou que houve ataques à imagem do cabo da Polícia Militar durante o julgamento. Segundo a viúva, um policial civil que participou da defesa teria feito declarações ofensivas contra policiais militares. “A todo momento a vítima era desqualificada”, disse.
Ao final do pronunciamento, Walkuiria pediu que o Ministério Público e o Poder Judiciário adotem medidas para anular o julgamento.
“Eu rogo e clamo ao Ministério Público, ao Poder Judiciário e ao meu assistente de acusação que anulem esse júri. Isso é justiça. O resto será impunidade”, afirmou.
Ela concluiu dizendo que a impunidade representa “a morte da justiça” e reforçou que o policial militar também deixou família e filhos.
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