O vereador de Cuiabá Rafael Ranalli (PL) foi denunciado à Polícia Civil e ao Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) após publicar um vídeo falso que associava o Partido dos Trabalhadores (PT) a um suposto “ritual de invocação”. A representação pede a investigação de possível discriminação religiosa e injúria racial, após a publicação de imagens de uma manifestação de matriz africana apresentadas como se fossem parte de um ato político em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A denúncia questiona o uso de imagens de uma celebração religiosa para atacar o grupo político adversário e aponta que a publicação contribuiu para a disseminação de ofensas contra religiões afro-brasileiras, como Candomblé e Umbanda. Os denunciantes pedem que as autoridades apurem eventual prática de discriminação religiosa, considerando também a divulgação do conteúdo nas redes sociais.
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O vídeo compartilhado por Ranalli continha a chamada “Campanha de Lula vira ritual de invocação” e a legenda “Manifestação pró Lula se transforma num ritual satânico no meio da Avenida Paulista”.
Entretanto, as imagens não correspondiam à caminhada política realizada em 11 de outubro, em apoio a Lula, durante o segundo turno eleitoral. O material original mostrava uma performance do cantor Joia de Couro durante a 4ª Marcha para Exu, realizada em 17 de agosto, na Avenida Paulista, em São Paulo.
Após a circulação do vídeo, agências de checagem, como UOL Confere, Aos Fatos e AFP Checamos, classificaram a informação como falsa. Em 14 de outubro, a ministra Estela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou a remoção de reproduções do conteúdo das plataformas digitais.
Com a repercussão, Ranalli apagou a postagem original e publicou uma errata reconhecendo que as imagens não eram da manifestação petista. “Errata: o vídeo da esquerda não é da manifestação de domingo do PT”, escreveu o vereador.
Na representação, divulgada pelo portal Gazeta Digital, os denunciantes argumentam que a associação entre a manifestação religiosa e um suposto ritual satânico reforça estigmas contra praticantes de religiões de matriz africana.
A investigação deverá apurar se a conduta se enquadra em crimes relacionados à discriminação religiosa, com possível agravamento pelo uso de redes sociais, além da hipótese de injúria racial apontada pelos denunciantes.
HISTÓRICO DE DENÚNCIAS
A nova representação ocorre em meio a outros procedimentos envolvendo o vereador em 2026. Em maio, a Polícia Civil abriu um inquérito para investigar ofensas verbais atribuídas a Ranalli contra o vereador Daniel Monteiro (Republicanos) durante uma sessão da Câmara Municipal de Cuiabá.
Em 9 de outubro, o Ministério Público também foi acionado após uma publicação do parlamentar com declarações ofensivas a moradores da região Nordeste do país.
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Além disso, Ranalli responde a uma ação judicial movida pela Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso e pela Defensoria Pública estadual, relacionada a declarações consideradas transfóbicas durante a discussão de um projeto de lei sobre critérios biológicos em competições esportivas.
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