15h50 - Em depoimento no Tribunal do Júri, Romero negou, mais uma vez, as acusações do Ministério Público sobre o assassinato de Raquel Cattani. O réu afirmou que as alegações de que teria planejado a morte da ex-esposa não são verdadeiras e declarou desconhecer as razões pelas quais seu irmão, Rodrigo, o aponta como mandante do crime. Romero insinuou que a acusação pode ser fruto de uma raiva antiga por parte do irmão, citando um desentendimento ocorrido há oito anos, quando confrontou Rodrigo por um suposto furto de celular.
Segundo sua versão, a separação do casal, ocorrida cerca de 30 dias antes do crime, foi uma iniciativa dele e estava sendo conduzida sem conflitos graves. O réu detalhou sua rotina no dia do homicídio, afirmando que esteve no sítio da família para ajudar no conserto de uma máquina e que buscou combustível para uma motocicleta que apresentava problemas mecânicos. Ele relatou que, após organizar a rotina dos filhos e deixá-los na casa da avó, passou a madrugada consumindo bebidas alcoólicas com conhecidos em bares e alojamentos, permanecendo com o grupo até o amanhecer.
Sobre a relação com o irmão, Romero descreveu um histórico de afastamento e conflitos, afirmando que Rodrigo tentava retomar o contato recentemente, mas que ele evitava os encontros. O réu alegou que não falou com o irmão entre a descoberta do corpo e a data da prisão, justificando que estava sob constante acompanhamento policial. Romero reforçou que apenas comunicou ao irmão sobre o fim de seu casamento, sem tratar de qualquer plano contra Raquel.
Testemunhas confirmam ida a prostíbulos e que Romero pagou as bebidas na noite do crime
15h - Em depoimentos prestados na tarde desta quinta-feira, as testemunhas arroladas pela defesa de Romero detalharam que passaram a noite e a madrugada do crime em companhia do réu frequentando bares e pelo menos três prostíbulos. Segundo os relatos de Anderson Sampaio e Samoel da Conceição, todas as despesas da noite foram pagas integralmente por Romero, que utilizava dinheiro em espécie para quitar os gastos do grupo.
As testemunhas contaram que o encontro começou por volta das 22h e se estendeu até as 4h da madrugada. Anderson Sampaio confirmou que o grupo percorreu diferentes estabelecimentos e que o réu arcou com todos os custos. Samoel da Conceição, que não via Romero há cerca de dois anos, relatou que o réu portava um "bolo de dinheiro" e que a reunião teve como foco exclusivo o consumo de álcool, sem qualquer menção ao assassinato de Raquel Cattani durante o período em que estiveram juntos.
Antes dos relatos sobre a noite nos estabelecimentos, o morador Marcos Bilibio informou ao tribunal que cruzou com Romero no fim da tarde do dia do crime. Na ocasião, o réu teria agido de forma rápida, parando o carro apenas para oferecer novilhas à venda antes de seguir caminho.
Mãe de Raquel revela comportamento violento e invasivo do ex-marido da filha
14hh40 - Sandra Cattani, mãe de Raquel, detalhou os últimos momentos da filha e o comportamento controlador de Romero antes do crime. Sandra descreveu o cenário de desespero ao encontrar a filha morta dentro de casa, com o corpo já rígido, após estranhar sua ausência na manhã de 19 de julho. Segundo ela, Raquel estava decidida a manter a separação definitiva, ocorrida cerca de 30 dias antes do homicídio, após anos vivendo sob um ciclo de humilhações e violência psicológica.
Durante a oitiva, Sandra reforçou o perfil possessivo de Romero, afirmando que o réu acessava o celular da vítima sem permissão e chegava a expor conversas privadas dela para terceiros. A mãe também identificou um perfume encontrado na casa do executor, Rodrigo, como sendo o presente que ela mesma havia dado para Raquel. Sobre a relação entre os irmãos, Sandra confirmou que Rodrigo não tinha convívio com a família e que Romero o manteve afastado por anos, vindo a se reaproximar apenas no período que antecedeu o assassinato.
Sandra declarou esperar pela pena máxima para os acusados, ressaltando que Romero tirou das crianças o direito de conviver com a mãe. Ela concluiu descrevendo Raquel como uma mulher trabalhadora e dedicada à produção de queijos, que buscava reconstruir sua vida longe das pressões psicológicas exercidas pelo ex-companheiro.
Análise de celular de Romero reforçam tese de crime planejado
14h - O delegado Edmundo Félix de Barros Filho explicou, em seu depoimento, que o rastro digital deixado por Romero foram fundamentais para a polícia descartar a hipótese de um crime comum.A perícia no celular de Romero revelou uma limpeza seletiva de dados que chamou a atenção dos investigadores. Enquanto mensagens antigas e irrelevantes permaneciam intactas, mensagens próximas ao dia do crime foram apagadas.
Para a polícia, a exclusão não foi aleatória, mas sim uma tentativa direta de esconder a coordenação com o executor. Outro ponto foi a existência de fotos de entradas de locais e interiores de veículos que não seguiam o padrão do cotidiano do réu. O delefado acredita que esses registros foram feitos para tentar construir um álibi visual de onde ele estaria no momento do crime.
No entanto o ponto alto foi um vídeo gravado por Romero no dia 19 de julho, data em que o corpo de Raquel foi encontrado. O ex-companheiro enviou uma gravação para um grupo familiar dando parabéns ao filho. No vídeo, ele aparece chorando de forma forçada, o que gerou estranhamento. Como o aniversário seria celebrado presencialmente pouco depois, a polícia interpretou o vídeo como uma "atuação" para criar uma imagem de pai zeloso e emocionalmente abalado diante dos parentes.
Investigação aponta que irmão foi executor do assassinato por "prestígio familiar"
11h48 - No segundo depoimento do Tribunal do Júri, o delegado Edmundo Félix de Barros Filho explicou que, embora Rodrigo Mengarde tenha sido o executor material do crime, ele não possuía motivações pessoais contra a vítima, agindo estritamente sob as ordens e manipulação de seu irmão, Romero.
A investigação concluiu que Rodrigo foi quem desferiu o ataque, mas o aponta como uma peça no plano do irmão por três razões principais. Ele não mantinha convívio ou vínculo com Raquel. "Não foi identificado nenhum motivo autônomo para Rodrigo matar Raquel", explicou. Apesar de possuir antecedentes por furtos e danos, Rodrigo não tinha histórico de crimes contra a vida. A polícia destaca que a "escalada" para um homicídio brutal não condiz com seu perfil, sendo um dos poucos itens roubados da casa apenas um frasco de perfume.
A principal motivação de Rodrigo, além da promessa de pagamento, seria o resgate do prestígio familiar. Após anos de afastamento, Romero buscou o irmão semanas antes do crime. A mãe de ambos relatou que Rodrigo estava "feliz com a visita do irmão", indicando uma reaproximação estratégica para o planejamento do crime.
Para a polícia, Romero foi movido por uma obsessão de controle. O delegado detalhou abusos que Raquel sofreu que incluíam chacotas pela deficiência auditiva parcial da vítima, além de ciclos de violência e manipulação. O réu alternava episódios de fúria com períodos de "lua de mel". Ele chegou a simular tentativas de suicídio com para impedir que Raquel terminasse o relacionamento. Testemunhas confirmaram que Romero já havia apontado uma arma para o rosto de Raquel.
Investigação detalha perfil obsessivo e controlador de ex-marido da vítima
10h58 - O delegado Pimenta Negri contou o histórico de perseguição, controle e "tortura psicológica" de Romero Mengarde contra a ex-esposa, Raquel Cattani, antes do seu feminicídio. A investigação traça o retrato de um comportamento obsessivo que culminou no crime.
Entre as características mencionadas em depoimento estão a vigilância constante. Testemunhas descreveram que, mesmo após a separação, era obcecado pela rotina de Raquel, exercendo vigilância sobre com quem ela se relacionava e onde estava. Outro ponto levantado foi a violência psicológica. Embora não houvesse registros de agressões físicas anteriores, o delegado afirmou que Raquel viveu anos sob pressão psicológica e tratamento desrespeitoso, o que classificou como uma forma de tortura com reflexos negativos inclusive para os filhos.
Sinais da premeditação do crime surgiram quando, poucas semanas antes do feminicídio, ele teria aparecido de surpresa e à noite no sítio onde a vítima estava, causando-lhe choque e medo, já que ele não residia no local. O medo de Raquel era notório entre pessoas próximas. Uma vizinha e confidente relatou que a vítima chegou a prever o próprio fim, afirmando dias antes: “Se acontecer alguma coisa comigo, foi ele, mas Deus não vai deixar”.
Comportamento frio de Romero chamou atenção da polícia, diz delegado
10h10 - Continuando o depoimento, o delegado Guilherme Negri afirmou que a Polícia Civil percebeu que Romero Xavier Mengarde não seria o autor direto do crime, por ele ter álibi detalhado e consistente sobre seus deslocamentos no dia e horário do homicídio. Então as investigações passaram a analisar provas técnicas e digitais, como vestígios deixados no local, indícios relacionados ao uso de internet e possíveis acessos a redes wi-fi, além de outros elementos periciais coletados na residência da vítima.
O que chamou a atenção da equipe foi o fato de que Romero teria construído cuidadosamente um álibi, incluindo idas em casas de prostituição. A investigação passou a buscar quem teria motivação para cometer o homicídio e de que forma o crime foi praticado. Foi realizado um extenso trabalho de campo e mais de 150 pessoas foram entrevistadas.
O delegado afirmou que Rodrigo Mengarde ficou à espreita de Raquel Cattani dentro da residência antes do crime. Raquel percebeu a presença dele pelo forte cheiro. Ao sentir o odor estranho, a vítima passou a procurar a origem do cheiro, falando em voz alta. Quando ela se dirigiu ao quarto para verificar, Rodrigo a surpreendeu e desferiu diversos golpes de faca.
Após o crime, segundo o depoimento, o réu forjou a cena, revirando apenas o quarto da vítima, deixando uma televisão do lado de fora da casa e, em seguida, fugiu com a motocicleta.
Drurante a oitiva, a testemunha destacou que chamou a atenção o fato de Romero se mostrar astuto, calculista e frio, com comportamento melindroso e atento, com respostas pensadas e demoradas, observando constantemente o interlocutor. Outro ponto destacado foi a ausência de reação emocional, aparentando ser uma pessoa “esperta” e “malandra”.
Delegado descreve investigação e sinais de cena forjada no local do feminicídio
09h33 - O delegado Guilherme Pompeo Pimenta Negri, primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri, relatou que a Polícia Civil mobilizou equipes imediatamente após a suspeita de feminicídio contra Raquel Cattani.
Negri afirmou que Romero Xavier Mengarde se apresentou espontaneamente às autoridades e foi interrogado para esclarecer sua rotina no dia do crime. As investigações apontaram que ele esteve em três casas de prostituição e que câmeras registraram seu veículo deixando Tapurah em direção ao local onde Raquel foi morta.
Ao chegar à residência da vítima, o delegado encontrou a cena preservada e sinais de arrombamento, incluindo uma janela amassada nos fundos. Uma televisão do lado de fora, marcada por uma bota, reforçou a hipótese de invasão. Raquel foi encontrada caída entre o quarto e o banheiro, com múltiplas lesões de defesa provocadas por faca.
Negri destacou que apenas o quarto da vítima estava revirado, o que levantou suspeita de tentativa de forjar o cenário, já que outros cômodos e objetos permaneciam intactos. Ele também informou que o autor circulou descalço pela casa, deixando marcas de sangue no chão.
O Tribunal do Júri da Comarca de Nova Mutum (241 km de Cuiabá) iniciou, na manhã desta quinta-feira (22), o julgamento de Romero Xavier Mengarde e Rodrigo Xavier Mengarde, acusados de envolvimento na morte da produtora rural Raquel Maziero Cattani, assassinada a facadas em 18 de julho de 2024, na zona rural do município. Raquel era filha do deputado estadual Gilberto Cattani (PL).
A sessão ocorre no plenário do Fórum local e é presidida pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski, titular da 3ª Vara.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Rodrigo teria sido o responsável por executar o crime, enquanto Romero, ex-marido da vítima, é apontado como autor intelectual. O caso mobiliza grande atenção pública devido à gravidade dos fatos e às circunstâncias do homicídio.
A acusação é conduzida pelos promotores de Justiça João Marcos de Paula Alves e Andreia Monte Alegre Bezerra de Menezes. A defesa dos réus está a cargo da Defensoria Pública do Estado, representada pelos defensores Guilherme Ribeiro Rigon, que atua em favor de Rodrigo, e Mauro Cezar Duarte Filho, responsável pela defesa de Romero.
A sessão foi aberta com a leitura do termo de apregoamento, marcando o início formal dos trabalhos do Tribunal do Júri. Os réus foram apresentados e confirmada a composição das partes envolvidas. Em seguida, foi realizado o sorteio dos sete jurados que compõem o Conselho de Sentença, formado por dois homens e cinco mulheres.
A juíza também reforçou que o caso envolve temas sensíveis, relacionados à vida e à liberdade, e pediu serenidade e imparcialidade para assegurar a regularidade do processo.
* Com informações do TJMT
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