Justiça Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011, 10:27 - A | A

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CARTAS MARCADAS

Delegado intima senador Blairo Maggi e deputado Gilmar Fabris para depor

Atual senador republicano e deputado estadual serão ouvidos para esclarecer escândalo das cédulas de crédito; delegado afirma que Gilmar Fabris está envolvido no esquema e só não o prende porque ele tem foro privilegiado

HÉRICA TEIXEIRA
herica@hipernoticias.com.br

 

Mayke Toscano/Hipernotícias

Deputado Gilmar Fabris desafia delegado Lindomar Tófoli em provar que ele está envolvido no esquema das cartas de créditos

 

O delegado fazendário Lindomar Tófoli disse nesta segunda-feira (19) que o ex-governador e atual senador Blairo Maggi (PR) e o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) irão depor para esclarecer as supostas irregularidades dos valores de cartas de crédito. Blairo e Fabris têm foro especial e, por isso, são eles quem marcarão o dia e hora do depoimento.

Lindomar Tófoli é quem comanda investigações pela Delegacia Fazendária (Defaz) para apurar irregularidades da emissão de cartas de créditos no Governo de Mato Grosso.

A argumentação de Tófoli é que à época da emissão das cartas de crédito, em 2009, Blairo maggi era o governador de Mato Grosso, e o acordo do valor tinha a assinatura do então chefe do Executivo, o que dá a entender que ele tinha conhecimento dos valores que seriam repassados.

O delegado ainda afirmou que um dos principais beneficiados do esquema é o deputado estadual Gilmar Fabris (PSD) e que prisão do político não aconteceu porque ele está amparado pela imunidade parlamentar.

“Tenho certeza que o deputado está envolvido (no esquema), tudo estava em favor do deputado. Eu não posso prender. Ainda quero saber se tem mais alguém envolvido”, declarou o delegado, ressaltando que vai ser preciso fazer as oitivas do ex-secretário da Secretaria de Fazenda e atual da Secopa, Eder Moraes, do atual secretário da Sefaz, Edmilson dos Santos. Quem já prestou esclarecimentos foi o ex- secretário de Administração, Geraldo de Vitto.

Tófoli apontou que esquema tinha atuação de pessoas ligadas ao governo, pois havia um grande valor em circulação. No entanto, o delegado afirmou que está buscando provas, para achar os outros envolvidos.

“Ainda em relação a participação de pessoas do governo as investigações estão obscuras. Estamos levantando mais informações e preciso de provas para documentá-las”, pontuou o Tófoli.

OPERAÇÃO

A operação “Cartas Marcadas” é uma ação conjunta entre a Polícia Judiciária Civil (PJC), por meio da Defaz, e o Ministério Público de Mato Grosso (MPE/MT). As investigações, segundo o delegado, continuam e devem ser encerradas somente no final de janeiro de 2012.

A operação foi deflagrada na última quarta-feira (14) para o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão e seis prisões.

As oitivas aos acusados começaram na quinta-feira (15). Os primeiros a serem interrogados foram o economista Antônio Leite de Barros Neto e o fiscal fazendário e membro do Sindicato dos Agentes da Administração Fazendária, Enildo Martins.

Na sexta-feira (16), quem prestou depoimento foi o advogado Enelson Alessandro Nonato. No sábado (17) aconteceu o depoimento mais esperado, que foi o do também advogado Ocimar Carneiro Campos, concunhado do deputado federal Gilmar Fabris.

Nesta segunda-feira (19), logo no início da manhã, quem vai prestar depoimento é o ex-presidente do Sindicato dos Agentes de Administração Fazendária (SAAF/MT), João Vicente Picorelli.

Na terça-feira (20) é a vez do último acusado que se entregou a polícia, José Constantino Júnior, funcionário do advogado Ocimar Carneiro Campos.

Os presos são acusados de terem participado de um esquema envolvendo a emissão e compensação de cartas de crédito expedidas pelo Governo do Estado em 2009 para pagar R$ 477 milhões em indenizações por diferenças salariais para cerca de 290 Agentes de Administração Fazendária (AAFs) da Secretaria de Fazenda (Sefaz).

Há suspeitas de duplicidade de cédulas de crédito, conforme afirmou o delegado Lindomar Tófoli, na quarta-feira (14).

O delegado Lindomar Tóloli disse que os presos serão indiciados pelos crimes de violação de sigilo, fraude processual, formação de quadrilha, peculato e improbidade administrativa, este na esfera cível.

OUTRO LADO

Por meio da assessoria, o senador Blairo Maggi disse que ainda não foi notificado oficialmente e se for, está disposto e sempre esteve para dar qualquer esclarecimento.

Em relação ao deputado Gilmar Fabris, ele negou que tenha qualquer participação com o esquema das cartas de crédito. Quanto às declarações feitas pelo delegado de que é um dos principais beneficiados, o deputado foi enfático e disse: “Manda ele (Tófoli) provar”, afirmou.

Gilmar Fabris disse que está disponível para a qualquer momento dar declarações ao delegado Lindomar Tófoli. “Assim que me convocar (delegado Tófoli) eu vou falar”, concluiu.

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CUIABANO 22/12/2011

TUDO QUE APARECE, CARTAS MARCADAS, PRECATORIO, MAQUINÁRIO, É DEPOIS DE 2008. PERIODO EM QUE EDER MORAES E EDMILSON FORAM PARA A SEFAZ FAZER O CONTROLE DO CONFRE PARA O MAGGI. SILVAL TEM DE ACORDAR. QUEBRARAM P ESTADO E AINDA ESTÃO AI.

CUIABANO 22/12/2011

FOI O MAGGI MANDAR O EDER MORAES PARA SEFAZ EM 2008, QUE TUDO QUE ESTOURA É DEPOIS DISSO. CARTAS MARCADAS, MAQUINARIO, PRECATORIO, ETC. ELE E EDMILSON SÃOS OS CARAS.

indignado VG 22/12/2011

engraçado, como se todos não soubessem da relação de picaretagem dos dois, fabris e ocimar! moravam no mesmo condominio no bosque da saúde, alí moravam por temporada os sogros do fabris, ocimar e cia e fabris e cia.. cada dia um dormia no apt do outro. no apt de fabris gastou-se para reformar o apt o valor imóvel! cada um tinha pelo menos 4 carros, cada um com valor acima de 100mil. sem contar as fazendas e a casa em jureré.... será que isso é o que? só falta dizer que o advogado dele tem uma lavanderia.....

Paulo Mattos 19/12/2011

Segundo li num site de Cuiabá, nesta manhã, os Deputados Estaduais de Mato Grosso, que se destacam pela primorosa honestidade e transparência em todas as suas atividades, estariam preparando uma CPI para dinamitar, implodir, exterminar a Delegacia Fazendária, pois que, segundo eles, os proponentes dessa ignomínia, referida Delegacia estaria cometendo inúmeros deslizes em sua atuação, inclusive criando fatos criminosos que não se constituem verdade. Na verdade, no entanto, eu percebo algumas falhas no encaminhamento das investigações levadas a efeito em torno da Operação Cartas Marcadas mas que, na essência, não comprometem a obtenção de provas e nem avançam contra o natural caminho da legalidade. Deve sim a Fazendária continuar cumprindo com o seu papel. O que não pode, para não dar margem aos nossos honestos e dignos representantes retaliarem ainda mais contra a Delegacia, são declarações tipo essa do Delegado Tófoli a respeito da prisão de Gilmar Fabris.Essas declarações devem ser dadas ao final das investigações, com a consequente conclusão do Inquérito quando ainda então, pode sim aquela autoridade requerer a prisão preventiva de qualquer acusado que se tenha comprovadamente participado dos atos criminosos.

Luis Antonio 19/12/2011

Pelo amor de DEUS, represente sr. Delegado pela P.P. do Secretario da Secopa, ele esta envolvido até o pescoco. Td mundo sabe, até as criancinhas da creche. So o governo k nao. Brincadeira.

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