O desempenho operacional foi sustentado principalmente pela distribuição de combustíveis no Brasil, que compensou a piora do segmento de Etanol, Açúcar e Bioenergia (EAB).
O Ebitda ajustado da distribuição de combustíveis Brasil avançou 269%, para R$ 3,541 bilhões, beneficiado pelo crescimento dos volumes comercializados, ganhos de eficiência logística e comercial e maior diluição das despesas operacionais.
O volume de vendas aumentou 6,6%, para 7,178 bilhões de litros, com altas de 8% no ciclo Otto e de 6,5% no diesel. A receita operacional líquida do segmento cresceu 16,1%, para R$ 44,714 bilhões, enquanto a margem Ebitda ajustada avançou de R$ 142 para R$ 493 por metro cúbico.
No EAB, o Ebitda ajustado caiu 63,1%, para R$ 300,8 milhões, pressionado pela redução dos preços realizados de açúcar, etanol e bioenergia e pelos menores volumes comercializados. A companhia também registrou menor produção de açúcar, enquanto a produção de etanol cresceu no trimestre.
Apesar da melhora operacional, o resultado líquido continuou negativo devido ao aumento de 42,4% das despesas financeiras, para R$ 2,973 bilhões, associado ao maior endividamento e aos efeitos da implementação do plano de recuperação extrajudicial.
Nas operações continuadas, o prejuízo líquido foi de R$ 797,9 milhões, ante R$ 1,787 bilhão um ano antes. A operação descontinuada, relacionada à Argentina, também teve impacto negativo de R$ 843,7 milhões no resultado do trimestre, incluindo efeitos contábeis do desinvestimento. Segundo a companhia, esse resultado inclui o desempenho líquido das operações argentinas no trimestre e efeitos contábeis relacionados ao desinvestimento, como baixa de ágios, custos da transação, variação cambial e impactos tributários.
Os investimentos consolidados recuaram 32,6%, para R$ 1,053 bilhão no trimestre, em linha com a estratégia de disciplina na alocação de capital, informou a Raízen.
Dívida líquida
A dívida líquida da Raízen encerrou o primeiro trimestre do ano-safra 2026/27 em R$ 56,870 bilhões, alta de 15,5% em relação aos R$ 49,220 bilhões registrados um ano antes, mas queda de 2,3% ante o trimestre imediatamente anterior. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado dos últimos 12 meses, recuou para 4,8 vezes, ante 5,2 vezes no quarto trimestre de 2025/26, mas permaneceu acima das 4,5 vezes registradas um ano antes. O Ebitda ajustado dos últimos 12 meses utilizado no cálculo da alavancagem somou R$ 11,853 bilhões, alta de 8,1% na comparação anual e de 5,1% ante o trimestre anterior.
A dívida bruta, incluindo derivativos, somou R$ 70,863 bilhões no fim de junho, alta de 9,1% em um ano. Do total, R$ 67,609 bilhões estavam no escopo da recuperação extrajudicial, alta de 14,4% na comparação anual. A dívida fora do escopo da recuperação caiu 47%, para R$ 3,491 bilhões. No detalhamento da dívida, os débitos no escopo da recuperação extrajudicial, sem os efeitos dos derivativos, somavam R$ 65,718 bilhões no fim de junho, alta de 4,7% ante março. Entre os principais instrumentos estavam pré-pagamentos de exportação, de R$ 11,949 bilhões; certificados de recebíveis do agronegócio (CRA), de R$ 7,483 bilhões; e debêntures, de R$ 6,817 bilhões.
Segundo a companhia, a redução da dívida líquida em relação ao trimestre anterior refletiu principalmente o desinvestimento da operação argentina, com a reclassificação de R$ 2,2 bilhões em ativos e passivos para a categoria de disponíveis para venda, além do aumento da apropriação de juros sobre as dívidas.
A pressão financeira, porém, aumentou no trimestre. O custo da dívida bruta cresceu 56,4% na comparação anual, para R$ 3,157 bilhões, ante R$ 2,018 bilhões um ano antes. O rendimento das aplicações financeiras caiu 31,5%, para R$ 318,1 milhões, enquanto os juros sobre arrendamentos recuaram 31,4%, para R$ 182,5 milhões. Com isso, o resultado financeiro líquido ficou negativo em R$ 2,973 bilhões, alta de 42,4% ante os R$ 2,087 bilhões negativos do primeiro trimestre da safra anterior.
A Raízen informou ainda que a homologação do Plano de Recuperação Extrajudicial, ocorrida em 30 de julho, não produziu impactos financeiros ou contábeis nas demonstrações financeiras de 30 de junho.
O resultado financeiro do trimestre, porém, incorporou juros acumulados sobre os passivos abrangidos pela recuperação e a apropriação dos custos de emissão dos instrumentos durante o período de suspensão dos pagamentos, de 180 dias.
(Com Agência Estado)
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