A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que identificou e pediu a prisão temporária do autor dos disparos. "O homem foi intimado a prestar depoimento, mas não compareceu. A investigação segue, a fim de apurar todos os fatos", acrescentou a corporação. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF).
A Polícia Militar informou que a 3ª Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM), subordinada à Corregedoria Geral da corporação, instaurou um procedimento para analisar as circunstâncias do fato.
Nas redes sociais, familiares alegaram que Daniel e outros dois amigos estavam no carro quando foram surpreendidos com quatro tiros contra o veículo. O pesquisador e um dos amigos estavam dormindo no momento dos disparos.
A Polícia Civil afirmou que, segundo relatos, os disparos foram realizados após um desentendimento no trânsito, mas a família contesta a versão.
"Tinha um caminhão na frente deles, entrou um carro atrás deles e começou a dar pisca-alerta para saírem da frente. Eles saíram e o carro passou o caminhão", contou o irmão de Daniel, Paulo Henrique Oliveira. Após a ultrapassagem, o carro em que o pesquisador estava acelerou para ultrapassar os dois veículos e foi atingido em seguida. Paulo afirma ainda que, após os disparos, o autor foi embora sem prestar socorro.
A família acusa o Instituto Médico Legal (IML) de cobrar uma taxa de R$ 1.000 para liberar o corpo de Daniel. O valor, após negociação, teria diminuído para R$ 700. "A gente pagou pela liberação do corpo do meu irmão, algo que pela lei é gratuito", relatou o irmão do pesquisador.
A Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) informou que vai apurar a denúncia. "Caso seja constatada a apresentação deliberada de informações falsas com o objetivo de imputar a prática de um crime, a conduta poderá configurar denunciação caluniosa", informou a corporação em nota.
Dedicado e comprometido com sua formação
Daniel era professor de matemática na Educação Básica e estudante do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Matemática do Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação da USP (IME-USP). Ele defendeu a dissertação de mestrado no dia 19 de outubro.
A coordenadora do Programa de Pós-graduação em Ensino de Matemática do IME-USP, Ana Paula Jahn, lamentou a morte do pesquisador e destacou seu comprometimento e dedicação.
"Tive a oportunidade de ser professora de Daniel em duas disciplinas do mestrado e pude conhecer um estudante brilhante, dedicado e comprometido com sua formação. Mesmo trabalhando em tempo integral como professor na Educação Básica, concluiu o mestrado antes do prazo, com excelente desempenho acadêmico", afirmou.
"Sua pesquisa, dedicada à educação matemática antirracista, expressava seu compromisso com a construção de uma educação mais justa e com práticas de ensino de Matemática comprometidas com a transformação social", acrescentou.
A coordenadora destacou ainda o empenho do pesquisador nas discussões, além de sua cordialidade e tratativa respeitosa com professores e colegas.
Ao longo do mestrado, Daniel participou de eventos e congressos da área de Educação Matemática e planejava seguir para o doutorado. "Tinha muito apreço pelo IME-USP e, certa vez, comentou o quanto havia lutado para chegar ao Instituto e como ali havia se encontrado", relembrou Ana Paula.
Nas redes sociais, alunos lamentaram a morte do professor. "Você foi o melhor professor que eu já tive e um dos únicos que acreditou no meu potencial quando nem acreditei, sentirei sua falta, Dani", escreveu uma estudante.
(Com Agência Estado)
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