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Brasil Domingo, 01 de Novembro de 2026, 16:59 - A | A

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GOLPE DENUNCIADO

Mulheres pagam até R$ 3 mil por cirurgias prometidas em falso mutirão do Outubro Rosa

Ao menos 30 pacientes denunciam prejuízos após promessa de procedimentos gratuitos no Hospital Regional da Asa Norte, no Distrito Federal; Polícia Civil investiga suspeita de estelionato.

CONTEÚDO METRÓPOLES

Divulgação

Divulgação

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Ao menos 30 mulheres denunciam ter pago entre R$ 1 mil e R$ 3 mil por cirurgias plásticas que nunca foram realizadas após serem atraídas por um falso mutirão associado à campanha Outubro Rosa, no Distrito Federal. O projeto, chamado “Renova Mama, Um Recomeço”, prometia procedimentos gratuitos de redução de mama e colocação de próteses no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), mas utilizava indevidamente o nome da unidade pública e de cirurgiões plásticos para dar credibilidade à iniciativa.

Segundo reportagem publicada pelo portal Metrópoles neste domingo (1º), as pacientes eram informadas de que precisariam pagar apenas pelos insumos cirúrgicos. Os valores eram transferidos para contas bancárias da mulher apontada como responsável pelo projeto ou de terceiros supostamente ligados a ela.

O caso é investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) como suspeita de estelionato. As mulheres tentam recuperar o dinheiro pago pelos procedimentos que não aconteceram.

A mulher identificada na reportagem como responsável pela iniciativa, Tayná Regina Oliveira Castro, de 42 anos, nega ter aplicado golpes. Em manifestação ao Metrópoles, ela afirmou que também teria sido induzida a erro pelas informações recebidas sobre a proposta de cirurgias a preços reduzidos.

CONSULTAS NÃO EXISTIAM

As suspeitas começaram quando pacientes compareceram a consultas supostamente agendadas e descobriram que não havia registros de atendimento em seus nomes. Em outras situações, os compromissos previstos no hospital ou em clínicas particulares foram cancelados poucas horas antes do horário marcado.

Conforme a reportagem, as mulheres também recebiam solicitações de exames médicos depois de realizar os pagamentos. Em áudios enviados ao grupo de WhatsApp das pacientes, a responsável pelo projeto orientava sobre como proceder nas consultas e afirmava que os procedimentos seriam incluídos no planejamento cirúrgico do hospital.

Em uma das gravações, ela dizia que as pacientes seriam apresentadas como integrantes de uma organização não governamental (ONG), supostamente para viabilizar a participação no mutirão.

Os médicos citados, entretanto, negaram envolvimento com a iniciativa e afirmaram que não autorizaram o uso de seus nomes para divulgar as cirurgias.

VÍTIMAS RELATAM FRUSTRAÇÃO

Uma das mulheres ouvidas pelo Metrópoles, identificada pelo nome fictício de Laura, contou que conheceu o projeto por indicação de uma amiga. Ela acreditou na proposta porque a iniciativa se apresentava como uma ação social ligada ao Outubro Rosa e ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A paciente relatou que desejava fazer uma cirurgia de redução de mama desde a adolescência, mas não tinha condições financeiras para arcar com o procedimento particular.

Segundo ela, o pagamento foi apresentado como uma cobrança referente aos materiais utilizados na cirurgia, e não como uma condição para conseguir atendimento irregular na rede pública.

A desconfiança aumentou depois que uma clínica vinculada a um dos médicos citados publicou um alerta nas redes sociais, negando qualquer relação com o projeto.

Mesmo após a divulgação do aviso, novas possibilidades de atendimento teriam sido apresentadas às pacientes. Laura afirmou que realizou os exames solicitados, mas continuou sem conseguir a cirurgia ou recuperar o dinheiro.

As mulheres também relataram dificuldades para obter o reembolso. Segundo a vítima, a responsável apresentava sucessivas promessas de pagamento, com prazos que eram adiados.

MÉDICOS NEGAM PARTICIPAÇÃO

Os cirurgiões plásticos mencionados na divulgação do suposto mutirão afirmaram que não tinham acordo para realizar os procedimentos anunciados.

Um dos profissionais relatou que foi procurado por uma mulher que dizia representar uma ONG voltada ao atendimento de vítimas de violência doméstica. Posteriormente, uma paciente compareceu à clínica dele informando que havia pago antecipadamente por uma cirurgia supostamente agendada.

A equipe médica esclareceu que o profissional não participava do projeto e não cobrava valores antes de uma consulta ou da formalização de uma cirurgia.

Outro cirurgião também negou envolvimento e afirmou que alertou pacientes sobre a possibilidade de golpe ao tomar conhecimento da situação. Ele informou que pretende adotar medidas judiciais pelo uso não autorizado de seu nome.

SECRETARIA REFORÇA GRATUIDADE DO SUS

A Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou que não havia recebido denúncia formal sobre os fatos relatados pela reportagem.

Em nota, a pasta reforçou que procedimentos e insumos oferecidos pela rede pública são gratuitos e regulados pelo SUS, sem cobrança de qualquer natureza.

A secretaria também declarou que está à disposição para colaborar com as investigações.

RESPONSÁVEL NEGA GOLPE

Em manifestação enviada ao Metrópoles, Tayná Regina Oliveira Castro afirmou que também teria sido enganada pela proposta de cirurgias a preços reduzidos.

Segundo ela, foram apresentados relatos de procedimentos realizados em hospitais particulares. A mulher declarou que acreditou nas informações, realizou o próprio pagamento e chegou a comentar com amigas sobre a possibilidade de fazer a cirurgia.

Tayná afirmou ainda que, após surgirem questionamentos, passou a buscar esclarecimentos e providências para a restituição dos valores pagos. Ela disse que os fatos serão esclarecidos pelas vias adequadas, mediante apresentação de documentos.

A investigação policial deverá apurar as circunstâncias da oferta, o destino dos valores transferidos e as responsabilidades pelo caso.

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