Durante muitos anos da minha vida profissional, atuei no Brasil como gestor, empreendedor e executivo em diferentes setores. Conduzi projetos complexos, liderei pessoas, enfrentei cenários desafiadores e participei de decisões que exigiam visão estratégica, responsabilidade e coragem. Foram anos intensos de construção, crescimento e aprendizado, não apenas sobre negócios, mas sobre liderança.
Em determinado momento da trajetória, senti que era preciso parar. Algo raro no mundo executivo. Mudei-me para a Europa, estabeleci-me em Portugal e, pela primeira vez em muito tempo, permiti-me silenciar. Foi um período de reflexão profunda, de observação e, sobretudo, de reconexão espiritual. Ali começou uma nova fase da minha vida, menos orientada pelo fazer constante e mais guiada pelo sentido.
Nesse contexto, fui convidado a assumir uma posição de liderança em um movimento cristão voltado a empreendedores. Um ambiente onde o propósito era claro: formar pessoas, desenvolver líderes, orientar negócios com valores, fé e responsabilidade. Aceitei o desafio com convicção, entendendo que liderança também é serviço.
No entanto, com o tempo, uma inquietação começou a crescer. Como orientar empresários, formar lideranças e falar de gestão, tomada de decisão e execução se eu mesmo estava afastado do campo de batalha? Como ensinar sobre negócios sem estar, de fato, vivendo os desafios diários que eles impõem?
Foi nesse ponto que compreendi algo essencial: não existe liderança verdadeira sem exemplo. Não existe autoridade desconectada da prática. E não existe coerência quando o discurso não acompanha a ação. Foi essa consciência que me levou a retomar o empreendedorismo. Não por ambição, mas por coerência. Recomeçar, naquele momento, não significava voltar ao passado, mas reposicionar o futuro. Decidi empreender novamente em Portugal, assumindo a responsabilidade de liderar pessoas, gerir negócios e tomar decisões em um novo contexto, com outra maturidade e com valores ainda mais claros.
Ao longo desse processo, reafirmei uma convicção que carrego até hoje: liderar é alinhar quem você é com aquilo que você constrói. Liderança não se sustenta apenas em resultados, mas em integridade. Não se impõe por cargo, mas se consolida pela prática diária. Pessoas não seguem palavras bem colocadas, mas atitudes consistentes.
A fé deixou de ser apenas um aspecto pessoal e passou a ser referência de vida. A família tornou-se critério de decisão. E os valores deixaram de ser discurso para se tornarem filtro real em cada escolha. Aprendi que sucesso profissional não pode custar a perda da essência.
Hoje, acredito que o maior papel de um líder é formar outros líderes. Criar ambientes onde pessoas cresçam, negócios prosperem e valores não sejam negociáveis. Liderar exige responsabilidade, renúncia e, acima de tudo, verdade. Liderar começa quando o exemplo vem antes da palavra e o propósito orienta cada decisão. Não é apenas uma lição, mas o início de um caminho.
(*) RAMIRO AZAMBUJA é empresário brasileiro com atuação entre Brasil e Portugal nos setores de agronegócio, energia e mercado imobiliário.
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