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Artigos Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 10:21 - A | A

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Segunda-feira, 02 de Fevereiro de 2026, 10h:21 - A | A

RODRIGO MENDES

Eleição presidencial: dividir forças no primeiro turno como tática para vencer no segundo

RODRIGO MENDES

Existe uma máxima atribuída ao general chinês Sun Tzu, autor de A Arte da Guerra, que diz assim: “Exército dividido, vitória alheia”. Sun Tzu defendia o princípio da concentração de forças em um único objetivo. Essa máxima é vital na guerra.

Contudo, existe outra máxima, que vai em sentido inverso, essa atribuída ao imperador romano Júlio Cesar: "dividir para conquistar" (divide et impera, em latim). A estratégia consiste em fragmentar grupos ou rivais, fomentando desavenças internas, para facilitar o domínio sobre territórios ou populações. O objetivo principal é impedir alianças que desafiem o soberano ou o poder central, sendo também, às vezes, usada como "dividir para governar". Esta tática foi amplamente utilizada ao longo da história; Napoleão Bonaparte a utilizou com maestria.

Na política eleitoral, nem toda divisão é fraqueza. Em certos contextos, a fragmentação no primeiro turno pode ser exatamente o que viabiliza a vitória no segundo. É a partir dessa lógica que se deve compreender o movimento recente de Gilberto Kassab e a reorganização silenciosa da centro-direita brasileira para 2026.

O EXEMPLO DA ELEIÇÃO NO CHILE

No primeiro turno da eleição chilena, os principais candidatos eram: Jeannette Jara – do Partido Comunista do Chile, numa ampla coalizão de esquerda, que obteve cerca de 26,9% dos votos. O segundo colocado foi José Antonio Kast – do Partido Republicano (ultradireita), com cerca de 23,9% dos votos, que avançou para o segundo turno. Em terceiro estava Franco Parisi – do Partido do Povo, com cerca de 19,7% dos votos, em quarto Johannes Kaiser – candidato também de direita, que obteve cerca de 13,9% e em quinto, Evelyn Matthei, também de direita, com cerca de 13% dos votos.

O que aconteceu no segundo turno? Franco Parisi, não apoiou formalmente nenhum dos dois candidatos e ficou neutro; a esquerda já estava com Jeannette Jara desde o primeiro turno e José Antonio Kast recebeu o apoio dos principais candidatos de direita (Kaiser e Matthei), consolidando a maior parte do eleitorado conservador. Resultado: Kast ganhou a eleição com aproximadamente 58% dos votos válidos e Jeannette Jara fica com cerca de 41%.

Ou seja, no Chile, a divisão da direita no primeiro turno garantiu a ocorrência de um segundo turno e, neste momento final, a aglutinação de forças de direita e centro-direita garantiu a vitória do candidato conservador.

A ARGENTINA TAMBÉM SERVE DE EXEMPLO

Na eleição presidencial de 2023, no primeiro turno, a direita/centro-direita estava dividida entre várias candidaturas e Javier Milei não tinha maioria.

No segundo turno, os eleitores antiesquerdistas (conservadores, liberais e centro-direita) se uniram em torno de Milei e derrotaram o candidato peronista de esquerda Sergio Massa.

O MOVIMENTO DE KASSAB

Gilberto Kassab reuniu no seu partido, o PSD, três dos principais pré-candidatos de centro-direita: o governador do Paraná Ratinho Júnior, Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul e, agora, a eles se soma o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, até então filiado ao União Brasil.

Importa lembrar que Kassab é secretário de estado na gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) até pouco tempo atrás considerado por muitos analistas e boa parte do mercado como o único candidato capaz de derrotar Lula (PT). Com a entrada de Flávio Bolsonaro na disputa, recolheu o seu time de campo e se voltou para a reeleição em São Paulo. Uma pergunta interessante: como será a postura de Tarcísio na eleição? Seguirá com o candidato do seu secretário ou abrirá seu palanque para Flávio Bolsonaro? Ou ainda, manter-se-á distante no primeiro turno?

O ESPECTRO POLÍTICO-IDEOLÓGICO NO BRASIL

O instituto Quaest perguntou aos brasileiros como se localizam dentro de uma escala ideológica e a resposta foi a seguinte:

- 19% lulistas ou petistas;
- 12% não lulista ou petista, mas mais à esquerda;
- 33% não tem posicionamento;
- 21% não é bolsonarista, mas mais à direita;
- 12% bolsonarista;
- 3% não sabe ou não respondeu.

Pode-se chegar a algumas conclusões a partir destes dados:

a) 31% estão mais à esquerda, 33% mais à direita e 36% não se posicionam (ou, em tese, estariam em uma posição mais ao centro);
b) a maior parte da sociedade não se identifica com nenhum dos lados da chamada polarização, nem no lulismo e nem no bolsonarismo: seriam 12% + 33% + 21% = 66%.

QUAL DEVE SER O RACIOCÍNIO DE KASSAB?

Existe um espaço a ser ocupado no eleitorado, na faixa central não radicalizada.

Até porque, a rejeição aos pré-candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) é muito alta. Portanto, existe teoricamente espaço para o crescimento de outras candidaturas.

Com um bom candidato, com experiência administrativa e resultados comprovados, tempo de TV, estrutura, capilaridade nos estados e uma boa campanha de marketing, existe uma chance deste espaço ser ocupado. Além do que, estes ativos deixarão de se concentrar na campanha de Flávio Bolsonaro, reforçando a possibilidade de fragmentação eleitoral.

Importa saber como vai se posicionar a Federação União Progressista (União Brasil e PP) e para onde irão os ativos que estes partidos dominam.

Pesquisas já vem mostrando um cansaço por parte do eleitorado com a polarização. O ex-presidente Jair Bolsonaro está preso e não poderá participar da campanha. A pergunta que fica é a seguinte: este movimento de Kassab é suficiente para romper a lógica da polarização? Provavelmente não. Mas essa é uma boa aposta.

UAI, E COMO FICA O ZEMA?

Ficou de fora, considerando o expecto político da centro-direita, apenas o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Partido Novo), que vai precisar encontrar o seu melhor lugar neste jogo. Existem especulações sobre a possibilidade de Zema se tornar vice na chapa de Flávio Bolsonaro. Contudo, na lógica da fragmentação, pode ser interessante que ele siga com a sua candidatura presidencial.

O CENTRÃO NÃO BRINCA EM SERVIÇO

Os partidos do chamado Centrão sempre tiveram como objetivo principal a eleição de suas bancadas na Câmara Federal. Afinal, é a partir do número de deputados que se define qual a parte cabe a cada partido na divisão dos Fundos partidário e eleitoral.

Essa definição acontece ainda no primeiro turno da eleição. E a probabilidade de sucesso das legendas do Centrão é muito alta (basta ver o desempenho passado de legendas como PSD, PP, União Brasil, Republicanos).

Ter um candidato a presidente da República sempre ajuda a puxar votos de legenda. Ao colocar um candidato na disputa associado ao número 55 (PSD) aumenta a probabilidade de Kassab ver crescer a sua bancada. Seu objetivo principal é maximizado.

O FIEL DA BALANÇA

No segundo turno, com a bancada de deputados federais já garantida, abre-se um conjunto de cenários extremamente confortável para Kassab.

Primeiro, ou o candidato do partido passa para a fase final da eleição e tende a receber os votos dos eleitores de centro-direita e direita (o maior campo eleitoral no Brasil) e o apoios dos candidatos deste bloco que não passaram ao segundo turno;
Ou, segundo, Kassab poderá sentar-se à mesa de qualquer candidato (Lula ou Flávio Bolsonaro) e pleitear alto, dentre as boas joias da Coroa, e ser o fiel da balança da eleição. Definitivamente, não é pouco!

(*) RODRIGO MENDES é publicitário, sociólogo e cientista político, especialista em marketing e mestre em Ciência Política pela UFMG. Foi professor da pós-graduação em Marketing Político da UFMG, assessor de marketing da Prefeitura de Belo Horizonte e secretário de Comunicação do Mato Grosso do Sul. Consultor dos governos de Alagoas e Sergipe e das Assembleias Legislativas de MG e PB. Atuou como consultor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de 2004 a 2010, sendo responsável pela campanha Vota Brasil. Participou de mais de 63 campanhas eleitorais em todo o Brasil. Autor dos livros Marketing Político: O Poder da Estratégia nas Campanhas Eleitorais e coautor de Marketing Eleitoral: Aprendendo com Campanhas Municipais Vitoriosas, além do e-book Novas Estratégias Eleitorais para um Novo Ambiente Político e Debates Eleitorais: prepare-se ou morra!

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